TEXTO DE MANUEL VÁZQUEZ GIL
Observe atentamente a figura anexa: ela representa um neurônio, célula-base do sistema nervoso central, com todos os periféricos que o auxiliam no trabalho de construir o conhecimento.
Nele você pode ver os dendritos, porta de entrada dos estímulos, o núcleo, onde os estímulos são decodificados, e o axônio, porta de saída dos estímulos já decodificados. O axônio desse neurônio comunica-se com um dos dendritos do próximo, estabelecendo a comunicação em série que vai construir a rede neuronal relativa ao conhecimento recém assimilado.
Para esse trabalho, o neurônio conta com a ajuda das células da glia, também representadas na figura: os astrócitos, responsáveis pela proteção e pela distribuição sanguínea; as micróglias, que removem células mortas; e os oligodendrócitos, responsáveis pela construção da bainha de mielina envolvendo o axônio, com dupla função: 1 - evitar a quebra do axônio, que é longo, fino e frágil e 2 - obrigar o estímulo a fazer um movimento saltatório, já que mielina é gordura, os estímulos são elétricos e gordura impede a passagem dos estímulos, que têm que saltar de nódulo em nódulo, aqueles espaços que você vê na figura.
Ocorre que o movimento saltatório aumenta exponencialmente a velocidade dos estímulos, o que faz com que o raciocínio seja rápido e o conhecimento se faça com mais presteza. Essa velocidade é a chave da empatia, que exige resposta pronta ao estímulo recebido de fora.
Sem a bainha de mielina não só os estímulos passariam muito devagar, mas também, e principalmente, sujeitariam o axônio a quebras. Na corrente de uma rede neuronal, basta um axônio quebrado para que o estímulo não seja transmitido para o próximo e interrompa todo o aprendizado.
E o que quebra axônios? Excesso de estímulos e estímulos inadequados para a idade e compreensão da criança. Esse é o ponto: a bainha de mielina, protetora e aceleradora, só começa a se formar após os 4 anos de idade. Até os 4 anos, às vezes até os 5, os axônios estão nus, prontos a se quebrar irremediavelmente.
É por isso que a escola, com relação ao aprendizado formal, começa aos 6 anos: para evitar submeter axônios desprotegidos à quebra e à inatividade. E é por isso que eu sempre alerto: cuidado com esse negócio de diagnóstico precoce e intervenções antes dos 4 anos, esse trem é um perigo que não podemos controlar.

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