Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2015

TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL O DSM é uma manual específico das doenças mentais. A rigor, autismo não deveria constar de um manual psiquiátrico: o desenvolvimento infantil e seus eventuais desvios são típicos da área da pediatria. A respeito disso, sempre comparo Kanner, um psiquiatra austríaco radicado nos Estados Unidos e Asperger, um pediatra austríaco que se manteve em casa. A pergunta que faço é esta: esses dois médicos nasceram na mesma região da Áustria, eram contemporâneos, tinham o mesmo nível socio-econômico, estudaram na mesma Universidade e foram discípulos das ideias de Bleuler, tanto que, sem poderem se comunicar ou saber o que o outro fazia, deram o nome de "autistas" a alguns dos seus pacientes. Por que os autistas de Kanner e de Asperger eram tão diferentes, a ponto de surgir a denominação "Síndrome de Asperger" aos autistas mais autônomos e brilhantes? Haveria, nos Estados Unidos, apenas autistas clássicos, e na Europa apenas aspies? Ou teria ...

TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL Oficialmente, o autismo ainda é um dos TGDs, agrupados no CID sob o código F84, onde o F84.0 é o Autismo Infantil.   Acompanhe comigo o que o manual fala sobre TGDs: “Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Estas anomalias qualitativas constituem uma característica global do funcionamento do sujeito, em todas as ocasiões”. Os TGDs estão divididos nas seguintes classificações: F84.0 AUTISMO INFANTIL F84.2 SÍNDROME DE RETT F84.3 OUTRO TRANSTORNO DESINTEGRATIVO DA INFÂNCIA F84.4 TRANSTORNO COM HIPERCINESIA ASSOCIADA A RETARDO MENTAL E A MOVIMENTOS ESTEREOTIPADOS F84.5 SÍNDROME DE ASPERGER F84.8 OUTROS TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO F84.9 TRANSTORNOS GLOBAIS NÃO ESPECIFICADOS DO DESENVOLVIMENTO Desses, interessa-nos o F84.0, Autismo Infantil. O CID...

JOGOS DO MUNDO, MUNDO DOS JOGOS

O professor de ética da E.M. Domingos Belém,Miguel Lunkes, reproduziu alguns jogos para os estudantes. Trabalho totalmente artesanal, onde os estudantes contribuíram com alguns materiais recicláveis.  Jogo da onça e os cachorros Fazia parte da cultura dos índios brasileiros.É um jogo de estratégia para dois jogadores.Um atua como onça, com o objetivo de capturar as peças do adversário.O outro atua como os cachorros, com o objetivo de encurralar  a onça e deixá-la impossibilidade de movimentação. O jogo mostra como é importante saber lidar com a individualidade e com o coletivo. Trabalha estratégia, raciocínio e posicionamento. Speculate Era jogado pelos envolvidos na Guerra de Tróia, para aliviar as tensões e também era jogado pelo clero. O Speculate remonta a jogos de dados tradicionais, mas adiciona uma dose de estratégia.Destaca-se pela capacidade de envolver e prender a atenção de um grupo de pessoas. Trabalha senso de oportunidade e capacidade de adaptação. Sene...

Lançamento do livro "O Dom do Autismo"

"Quando meu filho se ausentava e ficava olhando para um ponto fixo na parede, eu me preocupava. Ainda que também eu seja tendente à solidão, não tinha essas ausências prolongadas. Até que comecei a me sentar ao seu lado, olhando para o mesmo ponto, ficando ali em silêncio até que ele me notasse e saísse. Desenhei numa parede um grande círcu lo azul, com um metro de diâmetro, e um pequeno círculo branco do tamanho de uma moeda no centro desse círculo. A partir desse momento, ele procurava o círculo toda vez que se ausentava. Ao me sentar junto a ele, eu tinha para onde olhar, decretara um objeto claro de visualização". Sobre a obra: "O dom do Autismo: aprendendo a aprender" é um livro diferente: não traz as mesmices de todos os que se dedicam ao assunto, e que toda mãe conhece de cor. Porcentagens, classificações no CID-10, transtornos do espectro, principais rituais, terapias, medicamentação, métodos pedagógicos, roteiros gastronômicos, tudo isso toda...

Seminário: projetos e práticas exitosas na inclusão escolar em Contagem

No dia 27 de novembro de 2015, na Puc Minas, Contagem, a Secretaria de Educação promoveu um seminário bem bacana sobre as práticas de educação inclusiva no município.Na parte da manhã, duas palestras abrilhantaram nossa mente: Manuel Vázquez Gil, passeou pela legislação que rege a educação inclusiva no Brasil, dissertou desde o modelo médico até  modelo atual,o modelo dos Direitos Humanos. Enfatizando que, nós, que trabalhamos na rede pública, só podemos trabalhar dentro desse modelo, pois o Brasil é signatário da ONU e que estamos sim, trabalhando bem, é um caminho de um passo todos os dias. Nivania Reis, falou sobre a Tecnologia Assistiva, mostrou softweres de acesso livre e  pagos. Demonstrou a eficiência de cada um  e seu uso e também deu dicas de como criar acionadores simples para atender a demanda de alguns estudantes ou até a falta de recursos. A tarde, foram  realizadas algumas apresentações do que vem ocorrendo no município,  ações da secretaria e a...

INCLUSÃO

 Por Manuel Vazquez Gil Mais do que um sujeito que vive dentro de escolas todos os dias, tenho idade suficiente para observar o caminhar da inclusão. Embora reconheça a importância e gravidade de acontecimentos pessoais e particulares, busco olhar para a curva histórica que atesta o sucesso menor ou maior desse movimento. Ou seja: tenho consciência de que a inclusão não é um fato isolado, voltada para o meu filho, mas um projeto coletivo que deve beneficiar a todos. E quando digo todos, digo todos mesmo, e não só os alunos com deficiência. Historicamente, a velocidade que se imprimiu à inclusão escolar é admirável: cinco décadas atrás, quando eu estudava, crianças com deficiência ou transtornos da aprendizagem nem ficavam na escola; faz menos de trinta anos que eu ajudei a fechar um manicômio em Santos e transportei autistas de volta pra casa; na virada do século sequer havia leis que obrigassem as escolas a aceitar esses alunos; em 2007 havia pouco mais de 300.000 al...

NADA SOBRE ELES SEM ELES

Texto de Manuel Vazquez Gil Natã é um lindo menino da Escola Municipal Domingos Belém, em Contagem. Filho da doce Ana Paula, a quem tenho o orgulho de conhecer pes soalmente e o prazer de abraçar sempre que nos encontramos, é autista severo. Está há 3 anos na escola, e o termo "está na escola" nunca se aplicou tão bem: ele não ficava na sala de aula, explorava todos os espaços e ficava nervoso quando contido. Reagia com força às contenções. Nunca desistimos dele, para nós ele é um aluno como tantos outros, com os mesmos direitos de ir e vir. Para a missão de socialização do Natã pedimos a colaboração de todos, principalmente dos seus colegas, e eles jamais recusaram, Natã é um deles e não seria abandonado. E contamos com a compreensão e a confiança da mãe no nosso projeto. Pois Natã foi crescendo e se desenvolvendo, acreditando aos poucos que seu lugar era ali, que era aceito e querido, que não havia diferenças de tratamento em relação aos demais colegas, e retribu...

AUTISMO E PSICANÁLISE - XVIII

Texto de Manuel Vazquez Gil Já disse pra você que a harmonia da vida depende do equilíbrio entre seu lado Procusto, seu lado Édipo e seu lado Narciso. Se você conseguir ser um terço de cada um deles, viverá em paz e harmonia com a natureza, com o outro e consigo mesmo. Se desequilibrar essa balança tripla, terá problemas sérios e conflitos difíceis de resolver. Já disse também que se trata de harmonia, não de equilíbrio. O princípio da vida é o desequilíbrio, começando pela  própria dinâmica celular: é um estímulo que desequilibra a célula para que ela possa se dividir e criar a vida. E como encontrar a harmonia dentro do desequilíbrio? Sendo, no dia a dia, um inteiro composto dos três terços. Se não der pra fazer isso todos os dias, pelos menos que a conta feche todas as semanas. Dessa forma, você precisa ser pai Procusto um terço do tempo. Ser pai, você sabe, significa cuidar, ouvir, brincar, respeitar. Despir-se de todos os outros papeis que tem que fazer e...

AUTISMO E PSICANÁLISE – XVII

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL Cassiana e Adolfo estão com um problema insolúvel, causado pelo conselho fofo do “bem-vindo à Holanda”. Receberam o diagnóstico de Angélica recentemente, e o médico contou-lhes a história, anexando o conselho de que deveriam “matar” o filho esperado e aceitar a menina que receberam. Dificuldade principal: o tal filho esperado nasceu, até com o sexo desejado, e alimentou seus sonhos por quase dois anos. Como todo bebê pequeno, mamou e chorou. Sorriu e, mais tarde, andou. Tinha os cabelos da cor que sonharam e cortava seu sono durante as madrugadas. Usava fraldas, chupeta, mamadeira e ia ao pediatra como todas as outras crianças na sala de espera. Magrinha, podia muito bem vir a ser a primeira bailarina do Municipal. Mas agora o médico lhes diz que deviam mata-la, porque ela só existia no seu imaginário. E que deviam aceitar a menina que encheu a casa e a vida de estereotipias. Já não podiam mais deixa-la andar nas pontas dos pés, de preferência d...

AUTISMO E PSICANÁLISE – XVI

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL - O amor é um sentimento ou uma reação química? A pergunta me pegou de surpresa, embora eu já devesse estar acostumado a esses repentes. - Não tenho certeza, talvez seja uma emoção que provoca uma reação química. Por que pergunta? - Porque ouvi você dizer numa palestra que sentimento não é o que a gente sente, que o que a gente sente é emoção, e que sentimento é como a gente descreve a emoção. - Mas é isso mesmo, parabéns por ter prestado atenção. - Então quem acha que ama, mas não consegue descrever não tem emoção? E se a pessoa não sabe falar? - Para descrever uma emoção não é preciso falar. Existem mil maneiras de demonstrar: abraços, beijos, cuidados, carinhos... - Então o amor só é sentimento quando é demonstrado? - Isso mesmo, está ficando esperto. - É por isso que você sempre diz que não existe o amor, que só existe o amar? - Perfeito. Amar é um verbo, não existe o amor se não se tornar uma ação. Ação de falar, beijar, abraçar, cuidar...

AUTISMO E PSICANÁLISE – XV

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL Melissa vai me visitar uma vez por semana. Às vezes muda o horário, mas jamais falta. Jovem adolescente, magra e bonita, ela se acha feia porque tem uma irmã muito mais bonita. Tem uma estima muito rebaixada, proveniente das dificuldades de aprendizado que sempre carregou na vida escolar. Não tem amigos na escola nem fora dela, apenas colegas que “a suportam”. Odeia o seu nome: “é marca de sandália, por isso todo mundo pisa em mim”. Ela divide a sessão em compartimentos estanques perfeitamente definidos, e eu deixo que ela pense que comanda o processo. Começa a sessão com histórias felizes, passa para as dolorosas, depois chora, em seguir elogia meu jeito jovem de ser (“você é meu amigo mais jovem, todos os outros são muito velhos”), e volta com as histórias felizes. Se eu me dispusesse a marcar o tempo, descobriria que cada uma dessas fases tem exatos dez minutos. Eu a levo até o elevador, nós nos abraçamos como amigos antigos e ela leva o sorri...

AUTISMO E PSICANÁLISE – XIV

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL - Você não vai me perguntar sobre a minha vida? Amanda fez a pergunta ao mesmo tempo em que se acomodava na poltrona, antes mesmo do boa tarde. - Não – respondi – acha que deveria? - Não é o que vocês fazem? Perguntar sobre a vida dos outros? A outra me perguntou tudo. - E você respondeu? Contou as suas verdades? - Claro, não gosto de mentir, ainda mais para terapeutas. - Então conhece as suas verdades? - Eu me conheço muito bem, não ando por aí fingindo que sou o que não sou. - Ótimo! Então vou providenciar sua alta. - Alta? É meu primeiro dia! Que história é essa de alta? - O único motivo de você estar aqui é para se conhecer melhor. Se já se conhece, não tem que se deslocar de tão longe e de gastar seu dinheiro comigo. Que tal descermos e você me pagar um café, em vez de me pagar a sessão? - É que eu não vim aqui por minha causa, não preciso de terapia. Eu vim porque as pessoas não me compreendem, os amigos da escola me deixam de lado, minha famíli...

AUTISMO E PSICANÁLISE – XIII

 TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL A molecada me apelidou de “bacia vazia”, porque eu não falava português, e a língua não dobrava, então eu falava “bacia bacia”. Provocavam-me o tempo todo: fale bacia vazia, e eu falava: bacia bacia. E eles riam. Mas eu repetia e deixava para chorar de raiva quando estava sozinho. As brigas no pátio, os empurrões, as quedas, os machucados, as insinuações, as buscas, as mordidas do Tadeu, os cascudos, os tapas nas costas durante o mão-na-mula, os “telefones” (se você é muito jovem, saiba que “telefone” é bater com as duas mãos em concha nas orelhas alheias. Dói e deixa tonto ao mesmo tempo), as rasteiras, as lágrimas e o bacia bacia. Lembranças de uma infância que moldou meu caráter resiliente. Meu pai não me protegia. Ele sempre me dizia que eu poderia mudar o cenário e que para isso bastaria conviver com eles para aprender o idioma deles. Então aprendi. E um belo dia, no meio da turma, respondi bem alto: bacia vazia. Silêncio, admiração. U...

AUTISMO E PSICANÁLISE – XII

Procure pessoas, coisas e locais Silvania Página inicial 1 Solicitações de amizade Mensagens Notificações Atalhos de privacidade Configurações da conta PÁGINAS SUGERIDAS Ver tudo PÁGINAS SUGERIDAS Centro de terapia e aprendizagem 185 pessoas curtiram isso. Curtir Autismo e Inclusão 379 pessoas curtiram isso. Curtir PESSOAS QUE VOCÊ TALVEZ CONHEÇA Ver tudo PESSOAS QUE VOCÊ TALVEZ CONHEÇA Márcia Martins Ramalho 18 amigos em comum Adicionar aos amigos Português (Brasil)  ·  Privacidade  ·  Termos  · Cookies  ·  Anúncios  ·  Opções de anúncio  ·  Mais Facebook © 2015   Feed de Notícias  TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL 1 - Denise olha-se no espelho e vê uma garota feia: magra, os ossos das clavículas saltam, espinhas no rosto, duas inflamadas...