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Mostrando postagens de junho, 2016

ID, EGO, SUPEREGO

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL No início da vida, quando ainda está na fase do corpo vivido, um bebê "conclui" que tem duas mães: a que alimenta e acolhe, e a que abandona e some. Não que a mãe efetivamente abandone, mas a criança ainda não tem consciência de que o que desaparece da vista dela ainda existe e vai voltar. E, claro, a mãe tem infinitas tarefas a cumprir, e precisa "desaparecer" de vez em quando. Melanie Klein dava a essa fase o nome de "posição esquizo-paranóide": o bebê "acha" que a mãe é esquizofrênica, no seu movimento de acolhe/some, e fica paranóico com a situação. Por "posição" entende que nem uma é esquizofrênica, nem outro é paranóico, que tudo se passa a nível simbólico. Quando o bebê adquire movimentos, com o engatinhar e o andar, e pode explorar novos espaços, começa a construir o corpo sentido. Consegue ver, então, que a mãe não desaparece, apenas se desloca para outro lugar. A posição kleiniana muda, com a...

JOGOS DO MUNDO, MUNDO DOS JOGOS II

O professor Miguel Lunkes da E.M. Domingos Belém, continua  despertando nos estudantes o desejo de conhecimento do mundo. Através dos jogos tem levado meninas e meninos a descoberta de culturas e valores e tudo isso: brincando! O jogo da vez é o  Xadres Chinês, também conhecido como Damas Chinesas. É um jogo de índole estratégica, de observação e de paciência. É composto por um tabuleiro com formato de hexágono  com 121 casas, distribuídas, formando uma estrela. Os jogos, as atividades para exercitar a habilidade mental e a imaginação, as brincadeiras tipo desafios, as brincadeiras de rua, ou seja, toda a atividade lúdica agrada, entretém, prende a atenção, entusiasma e ensina com maior eficiência, porque transmite as informações de várias formas, estimulando diversos sentidos ao mesmo tempo e sem se tornar cansativo. Em um jogo a carga informativa pode ser significantemente maior, os apelos sensoriais podem ser multiplicados e isso faz com que a atenção e o intere...

ID, EGO, SUPEREGO - PARTE 2

TEXTO DE MANUEL VÁZQUEZ GIL Considerando que o Ego tem a função precípua de mediar conflitos entre o Id e o Superego, fica fácil compreender que ele só existirá se existirem os outros dois. Não há necessidade de um Ego onde só existe o Id ou o Superego. Nesse sentido, é preciso que à criança seja permitido ser criança enquanto seus pais introduzem, aos poucos e respeitando sua idade e desenvolvimento, o Superego. Cito um exemplo: até os seis anos de idade, meu filho era Superego puro: metódico, controlado, arrumava tudo sempre da mesma maneira e recusava-se a sair de casa enquanto não recolocasse tudo no seu devido lugar. Tinha crises quando alguém "arrumava" suas coisas em outro lugar. Levei muito tempo para ensina-lo a ser mais descuidado, menos neurótico, deixar tudo bagunçado e sair, para arrumar na volta, se desse vontade e tempo. Mais de dois anos para fazer aflorar seu Id, de modo que ele pudesse construir um Ego adequado, como efetivamente é seu Ego hoje. As de...

ID, EGO, SUPEREGO

TEXTO DE MANUEL VÁZQUEZ GIL Este texto é uma espécie de reforço de conceitos que já divulguei aqui, e que repriso no intuito de ajudar você a compreender melhor a egodistonia de que falei ontem. Desculpe ocupar seu tempo, mas foi um alerta de uma amiga, que me alertou para o fato de que tenho amigos novos que talvez não tenham lido. Para facilitar ainda mais, porque os termos da psicanálise nem sempre são fáceis, uso algumas definições de Erick Berne, misturadas aos ensinamentos de Fre ud e conclusões minhas. Admitamos que o Id é a Criança, o Superego é o Pai e o Ego é o Adulto. Perceba que Pai e Adulto são conceitos distintos, e até por isso as palavras estão grifadas em maiúsculas.   Nascemos Id puro. Totalmente inconsciente, o Id age pelo princípio do prazer e não é controlável. Na verdade, ele nos controla. A palavra significante do Id é “sim” (“eu posso, eu quero, eu faço”). Não tem noção de perigo, de conseqüências ou de limites. Age por impulso, busc...

AUTISMO E EGODISTONIA

TEXTO DE MANUEL VÁZQUEZ GIL Egodistonia, como o nome já denuncia, é a não adaptação do Ego aos impulsos que atingem o sujeito, tanto internos quanto externos. Os conflitos com as necessidades impostas ao Ego geram sintomas que são percebidos parcialmente nas suas ações e nas palavras, porém, isso não quer dizer que os entenda e nem que os aceite. O detalhe é que o sujeito percebe o sofrimento que causa ao outro, mas não compreende o porquê, então sofre também, com maior intensidade . Um resumo que sempre faço sobre egodistonia: é o sujeito que não se aceita como é. Que é diferente de não se aceitar como está. Se estou solteiro e não aceito, eu caso; se estou cabeludo e não aceito, corto o cabelo. Mas se sou negro e não me aceito negro, ou se sou homossexual e não me aceito homossexual, isso é egodistonia. A egodistonia surge depois dos oito anos, quando a personalidade se consolida, mas explode na adolescência, quando os hormônios da puberdade exigem uma definição clara de que...