TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL No início da vida, quando ainda está na fase do corpo vivido, um bebê "conclui" que tem duas mães: a que alimenta e acolhe, e a que abandona e some. Não que a mãe efetivamente abandone, mas a criança ainda não tem consciência de que o que desaparece da vista dela ainda existe e vai voltar. E, claro, a mãe tem infinitas tarefas a cumprir, e precisa "desaparecer" de vez em quando. Melanie Klein dava a essa fase o nome de "posição esquizo-paranóide": o bebê "acha" que a mãe é esquizofrênica, no seu movimento de acolhe/some, e fica paranóico com a situação. Por "posição" entende que nem uma é esquizofrênica, nem outro é paranóico, que tudo se passa a nível simbólico. Quando o bebê adquire movimentos, com o engatinhar e o andar, e pode explorar novos espaços, começa a construir o corpo sentido. Consegue ver, então, que a mãe não desaparece, apenas se desloca para outro lugar. A posição kleiniana muda, com a...
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