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Mostrando postagens de maio, 2015

O PECADO ORIGINAL

 Texto de Manuel Vazquez Gil "Essas pessoas podem ser ensinadas, mas apenas por alguém verdadeiro e bem-humorado" - Hans Asperger. "Eu gosto da tia Jaci, porque ela ri quando está feliz, briga quando está brava e chora quando está triste" - Luan Alejandro. Com palavras diferentes, Hans e Luan falaram a mesma coisa e mostraram o caminho da inclusão. Indicaram também o pecado original que todos cometemos: sempre nos dizem que é preciso antecipar os acontecimentos para que autistas não fiq uem nervosos e frustrados, mas não são as mudanças ambientais ou de ações que os incomoda, são as mudanças de humor das pessoas. Em uma palavra: a imprevisibilidade. Quando se deparam com pessoas previsíveis e verdadeiras, eles sempre sabem o que esperar. Fica fácil decifrar que algo está mal se aquela pessoa está chorando, ou que aconteceu algo bom se está rindo. Gente verdadeira é gente confiável, a quem podemos entregar nossos sonhos e pesadelos sem receio. Pessoas assim têm o qu...

SINTOMAS

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL 1 - Estereotipias, como andar na ponta dos pés, girar em círculos, balançar mãos ou pés; fixação em partes de objetos; compreensão literal, dificuldade de abstração; tendência ao isolamento social, dificuldade de iniciar e manter vínculos; sensibilidade tátil, auditiva ou gustativa; atraso no desenvolvimento de habilidades motoras e de aquisição de atividades da vida diária. Esses são sintomas tipicamente autistas. Não precisam de medicação. 2 - Agressividade, depres são, angústia, psicose, frustração, neurose, pânico, atraso intelectual, superdotação, lapsos temporais, esquizofrenia, epilepsia, bipolaridade, apatia, melancolia, hiperatividade, desatenção, dificuldades de aprendizagem, disgrafia, dislexia, auto-agressão, obesidade, nervosismo.  Esses são sintomas da espécie humana, um preço que devemos pagar por ter atingido o topo da cadeia alimentar, criado consciência e construído a civilização. Alguns necessitam temporariamente de medicação, até...

Escola é pedagógica e não clínica

PALESTRA DE PATRÍCIA CUNHA- CONTAGEM Escola é pedagógica e não clínica Com essa fala, Patricia Cunha, fechou o leque de discussões sobre o caminho da inclusão escolar. Não cabe a escola fazer atendimento clínico, o estudante, vai à escola para a realização do trabalho pedagógico, que perpassa o ler e o escrever. Mostrou com segurança em suas argumentações que a função da Escola é apostar sempre na capacidade cognitiva de seus estudantes. Que meninos e meninas vão à escola não  por causa de seus professores, mas pela experiência coletiva que esse ambiente agrega a vida. O aprendizado é uma vivência que é realizada junto com os outros. Ponderou sobre o papel da professora de AEE e as habilidades demonstradas pelos estudantes nesse ambiente. Ressaltou que são provocados de formas diferentes no AEE e na sala de aula comum, dessa forma respondem de maneira diferente. Que a sala de aula comum exige habilidades que ainda estão sendo construídas. É preciso dar tempo ao estudante. ...

ESCOLA FUTEBOL CLUBE

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL Um time de futebol é um interessante e singelo exemplo de inclusão: a união de pessoas diferentes e com talentos diferenciados, com o objetivo de vencer o jogo. O técnico observa as qualidades de cada um e monta uma equipe cujo lema principal é a cooperação. Se o grupo não está unido e colaborativo, a derrota chega sem dó. O ponto mais importante nessa configuração é o regulamento que comanda a competição: regras claras e conhecidas de todos, que devem se r seguidas por todos, sob pena de sanções severas. Regras previamente discutidas e reconhecidas. Então, quando um dos jogadores agride a regra, ele prejudica todo o time. No entanto, mesmo os que estavam longe do acontecimento correm para ajudar a minimizar os danos que a falta pode causar, e se colocam na barreira, prontos a sentir dor pela violência da bolada em algum lugar do corpo. Fazem isso porque sabem que, quando for sua vez de cometer uma falta, também terão o solidariedade, e também porque ac...

OS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM

Publicado em  Artigo ,  Educação  por  Pedagogia ao Pé da Letra  no dia 19 de setembro de 2013 As pesquisas de Emília Ferreiro e Ana Teberosky sobre a psicogênese da língua escrita demonstram como se constrói, em três níveis evolutivos, a compreensão do sistema alfabético de representação da língua, permitindo definir atividades e intervenções pedagógicas que favorecem a compreensão da escrita e a superação das dificuldades desta aprendizagem. 1. Nível pré-silábico : neste nível, a criança não estabelece relações entre a escrita e a pronúncia. Nesta fase, ela expressa sua escrita através de desenhos, rabiscos e letras usadas aleatoriamente, sem repetição e com o critério de no mínimo três. Aqui, a criança nem desconfia que as letras possam ter qualquer relação com os sons da fala. Ela só sabe que se escreve com símbolos, mas não relaciona esses símbolos com a linguagem oral. Acha que coisas grandes devem ter nomes com muitas letras e coisas peq...

MELINDRES

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL No bunker indevassável do set terapêutico, as pessoas me falam coisas que sequer falariam para si mesmas. Não lido com pessoas, lido com almas, e a alma não tem e nem precisa ter máscaras sociais, então delata tudo que a incomoda, na busca de paz e compreensão. Mas ela só fala quando tem certeza de que não será julgada, apenas acolhida e acalentada, não importa quão grave seja o que vai falar. E, embora meu pai já tivesse me falado sobre isso tantas e tantas vezes, é no aconchego do consultório que comprovo que não há o bem ou o mal. Que há amor no coração do mais desprezível ser e ódio no de um santo. Sei que pinçamos a principal característica de uma pessoa e fazemos uma classificação a partir disso, mas a pessoa não é aquela característica, é muito, muito mais. De modo que todas as almas são muito parecidas, e apenas o comportamento externo nos distingue. Autismo não é uma palavra que designa uma doença física ou um transtorno mental. Autismo é um...

Me sentindo homenageada

Manuel Vazquez Gil 3 h  ·  PALESTRA A palavra 'palestra' tem origem no grego 'palaistra', “local para exercícios”, de 'palaíein', “lutar”. Na Grécia antiga, esse era o nome dado a um local onde se fazia treinamento de lutas, lançamento de disco e outros esportes. Servia também para o convívio social masculino (menina não entrava). Da conversa sobre assuntos variados acabou surgindo o sentido mais usado em nosso idioma, que é o de “debate, aula, conferência”. E agora, ainda bem, menina também entra, embora muitas vezes 'palestra' volte a ser um local de lutas e outros "esportes". Guardo a noção clara de que uma palestra é um momento de marketing para acelerar vendas, seja de produtos, de serviços, ou seja de ideias. O palestrante usa do seu conhecimento e poder de sedução para vender, a plateia compra ou rejeita, de acordo com o grau de convencimento a que se submeteu. Mas nunca acreditei em palestras como meio contínuo de aper...

A INCLUSÃO COMO FILOSOFIA DE VIDA

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL Conheço algumas escolas que adotaram a inclusão como filosofia de vida. Muito mais do que uma estratégia para inserir o aluno no meio social e promover o ensino das disciplinas escolares, essas escolas escolheram ser inclusivas para todos os seus alunos, suas famílias e a comunidade em torno. Dentro desse princípio, que vem lá de dentro do peito, todas as pessoas que passam pelo portão estão ali para serem incluídas no ambiente escolar. O afeto e o acolhimento é para todos, e não só para o aluno com deficiência. A menina que esqueceu o livro, a avó que precisa de um conselho, o pai que veio buscar informações, o menino que não tomou café em casa, a menina que não para quieta, a outra que não fala nada, o vizinho que chutou a bola pra dentro da escola, a associação de bairro que precisa de um espaço para uma reunião, a juventude da rua que quer a quadra emprestada, todos, sem exceção, têm o mesmo tratamento por parte da equipe escolar. Essas são escolas ...

ESCOLA INCLUSIVA

Texto de Manuel Vazquez Gil Voltei ontem de mais uma etapa do projeto Aprendendo a Aprender em Contagem, Minas Gerais. Sempre são dias muitos intensos e proveitosos quando  vou para lá, mas estes foram especialmente recompensadores, porque consegui costurar alguns pontos entre todos os atores de um processo inclusivo: comecei o dia conversando com mães de alunos com deficiência, assisti a algumas aulas dentro da sala, observei a atuação pedagógica de alguns professores, conversei, ajudei e analisei o processo de aprendizagem e comportamento de alguns alunos e terminei o dia na Secretaria da Educação, conversando com os gestores do município, tanto da escola básica, quanto da inclusão. Passamos metade do ano passado em contato com educadores do município, tentando compreender a cultura de lá. No início deste ano, começamos o trabalho do projeto em uma escola. Neste mês de maio começaremos a atender uma segunda escola. Nesse ínterim, fomos construindo um diagnóstico, com a ajuda de ...