Texto de Manuel Vázquez Gil
Você deve se perguntar às vezes porque, se todos queremos as mesmas coisas, brigamos tanto. Direitos, por exemplo, é um bem desejado e quase nunca atingido. Será que entendemos o que são direitos e quais, entre tantos, são nossos, e quais não são?
Onde o limite?
Pois é, o limite está exatamente na nossa cabeça, em como vemos e pensamos o mundo. Vou ajudar você: podemos dividir as pessoas, em relação a como veem os direitos, em três grades grupos:
1 – Utilitaristas são aqueles que acham que uma boa ação ou uma boa regra de conduta são caracterizadas pela utilidade, ou seja, pelo prazer que podem proporcionar ao outro e à coletividade;
2 – Igualitaristas são aqueles que acham que deve haver igualdade absoluta em todas as áreas: política, social, cívica. Para estes, a igualdade não é relativa, mas absoluta;
3 – Libertários são os que maximizam a autonomia e a liberdade de escolha, e o julgamento individual. Focam na propriedade privada e na redução da autoridade e do poder do Estado.
Amartya Sem, escritor indiano, conta a história da flauta e dos três meninos: havia uma flauta, e três meninos a queriam. O primeiro argumentava que ele era o único que sabia tocar, portanto a flauta tinha que lhe pertencer; o segundo dizia que era o mais pobre deles, que não tinha nenhum brinquedo, e que a flauta seria sua única forma de diversão, portanto tinha que ser sua; o terceiro afirmava que tinha sido o construtor da flauta e que, justamente por isso, a flauta era dele.
Faça um exercício honesto e, como juiz dessa causa, decida com quem fica a flauta. O resultado mostrará em qual das três filosofias do direito você está.
Depois, compreenda que outros estarão em outras categorias: é aí que entram as grandes discussões por direitos.
Agora transfira a história da flauta e dos três meninos para as discussões que tem tido com a escola, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, usuários de transportes coletivos, condôminos do edifício, vagas preferenciais, filhos, cônjuge, tudo.
Talvez a solução do problema esteja em reconhecer que há gente que pensa diferente da gente.
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