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FATORES NEUROTRÓFICOS

Texto de Manuel Vázquez gil

Meu amigo Laerte, após ler O Dom do Autismo, externou algumas questões sobre Fatores Neurotróficos. Isso me encheu de satisfação, porque se trata de alguém muito inteligente e perspicaz, que encontrou o coração de todo o sistema que descrevo, que chamo de Dieta Sensorial, e que incrementa o aprendizado, tanto social quanto escolar, da pessoa autista.
Tento responder, deixando abertura para novas perguntas:
Fatores Neurotróficos Derivados do Cérebro (BNDF) e Fatores Neurotróficos Derivados da Glia (GNDF) são uma espécie de proteína secretada pelas células da glia (a massa branca do Sistema Nervoso Central), em particular pelas micróglias, que são células especializadas em remover matéria inerte do cérebro. Essa matéria é, em geral, resultado da apoptose celular, que é a morte programada das células.
Numa relação factual, apenas para melhor compreensão, os Fatores Neurotróficos executam a função, na fagocitação, semelhante à que a saliva executa para a deglutição de alimentos: sem um amolecimento perfeito da massa inerte, ela pode não ser removida, não abrindo espaço para a neurogênese ("nascimento" de novos neurônios no hipocampo e reposição de células da glia que fizeram apoptose). Não havendo essa reposição, o aprendizado fica prejudicado, como fica fácil de perceber instintivamente.
Pois bem: cada um de nós tem seus próprios Fatores Neurotróficos, alguns inclusive (chamados Fatores NET), de qualidade inferior. Ou seja: não perfazem sua função na plenitude, e não removem toda a massa inerte. Não há técnica científica que possa melhorar essa qualidade, e a ética médica e científica não permite a manipulação de Fatores Neurotróficos em humanos. Fazemos isso em cobaias, e conseguimos obter algumas respostas.
Há, felizmente, uma técnica para aumentar a produção desses Fatores, e ela é totalmente ambiental: um meio que seja favorável a todos os sentidos da pessoa (e aí o ambiente deve ser adequado individualmente a cada um, embora haja regras comuns a todos), em que a pessoa se sinta confortável e com vontade de permanecer.
As regras comuns dizem respeito ao ruído (sons com frequência acima de 9.0 hertz paralisam sua produção), e à apresentação de figuras (que produz 8 vezes mais de Fatores Neurotróficos, em comparação com apresentação de palavras). As demais regras, para os sentidos de paladar, tato e olfato, são individuais devem ser descobertas pela família e adequadas à criança.
O texto fica longo, amigo, então prometo voltar. O que fica claro, por enquanto, é a importância vital do ambiente para a produção maior de Fatores Neurotróficos, que vão contribuir para a remoção de massa inertes, a construção de novas redes neuronais e a facilidade para o aprendizado.

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