Pular para o conteúdo principal

Nada sobre eles, sem eles



                                            Imagem de <a href="https://pixabay.com



João tem 15 anos. Frequentava o nono ano de uma escola pública.

É um estudante com deficiência intelectual.

No fim do ano, João virou o problema da escola, pois ele nunca aceitou fazer provas diferentes das dos colegas.

No começo os professores insistiam, mas depois respeitaram a decisão de João.

No fim do ano, veio o problema. A Secretaria de Educação pediu as provas diferenciadas de João, alegando que é um direito legal do aluno com 

deficiência.

Para a Secretaria, todo estudante com deficiência deve ter provas diferenciadas.

A escola procurou o João, explicou para ele o que a Secretaria de Educação exigia, mas ele continuou recusando, afinal estava ali desde o sexto ano, todos já o conhecem.

Pesquisamos a legislação e relemos a Proposta Pedagógica da escola. 

Nesta, havia a descrição de todo um currículo diferenciado para todos os alunos, ou seja, a escola tinha em suas disciplinas diferentes conteúdos que trabalhavam autonomia, protagonismo e liberdade de expressão.

Percebemos nesse ponto o quanto João se apoderou desses conteúdos e habilidades, o quanto ele se
desenvolveu e se tornou autor de seu próprio conhecimento.

Partimos daí para a legislação, como garantir esse direito do João e de outros futuros colegas?

Recorremos até à “Convenção interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência” que, em seu artigo 1º diz que,

 “as pessoas com deficiência não são obrigadas a aceitar a diferenciação” e a Lei Brasileira de Inclusão em seu artigo 2º, que descreve “a pessoa com deficiência não está obrigada à fruição de benefícios decorrentes de ação afirmativa”.

Percebemos, com o caso de João, o quanto somos capacitistas, por acharmos que os estudantes com deficiência não são capazes de decidir por seu tipo de avaliação na escola.

Assim, formalizou-se o documento que foi entregue à Secretaria, e a escola se afirmou como de fato deve ser, respeitadora dos direitos dos estudantes, respaldada no princípio que rege a “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: nada sobre nós, sem nós!

O nosso curso "Princípios da Educação Inclusiva" oferece:
* acesso vitalício
*grupo de estudo no facebook
* estude onde e quando quiser
* acesso pelo celular
*certificado   
Para conhecer clique no link abaixo:

informações: atendimento@scholeinclusao.com  13 997737368

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PRECONCEITOS COTIDIANOS

Texto de Manuel Vázquez Gil A maioria de nós vive no campo das ideias: temos convicções de como fazer, mas não arregaçamos as mangas para mudar o que consideramos errado. Não nos infiltramos no cotidiano para transformar o mundo, preferindo terceirizar para o Estado, a escola, o outro, enfim. Constituímos e concretizamos juízos prévios que, por não serem postos à prova e permanecerem dentro de nós, não podem ser confirmados ou refutados na vida diária. Por não serem confrontados,  deixam de ser juízos para se constituírem em preconceitos.  Segundo Heller (O cotidiano e a história, ed. Paz e Terra, 1989), "o afeto do preconceito é a fé" (por fé, compreenda fé em qualquer coisa), "a intolerância emocional é uma consequência necessária da fé" e "crer em preconceitos nos protege de conflitos, porque confirma nossas ações anteriores". Contra a tirania da fé, afeto que acalanta o preconceito, existe um vacina: a confiança no saber. E a confiança no sabe...

Meus direitos, seus direitos, nossos direitos

Texto de Manuel Vázquez Gil Você deve se perguntar às vezes porque, se todos queremos as mesmas coisas, brigamos tanto. Direitos, por exemplo, é um bem desejado e quase nunca atingido. Será que entendemos o que são direitos e quais, entre tantos, são nossos, e quais não são? Onde o limite? Pois é, o limite está exatamente na nossa cabeça, em como vemos e pensamos o mundo. Vou ajudar você: podemos dividir as pessoas, em relação a como veem os direitos, em trê s grades grupos: 1 – Utilitaristas são aqueles que acham que uma boa ação ou uma boa regra de conduta são caracterizadas pela utilidade, ou seja, pelo prazer que podem proporcionar ao outro e à coletividade; 2 – Igualitaristas são aqueles que acham que deve haver igualdade absoluta em todas as áreas: política, social, cívica. Para estes, a igualdade não é relativa, mas absoluta; 3 – Libertários são os que maximizam a autonomia e a liberdade de escolha, e o julgamento individual. Focam na propriedade privada e na redu...

Matéria sobre a LBI e o Aprendendo a Aprender

O projeto Aprendendo a Aprender é o filho direto do Dom do Autismo: com o tempo, compreendemos que a inclusão escolar é para todos, e elaboramos um projeto que beneficiasse o ambiente, conforme entendimento das diversas leis que regem o assunto. A deficiência não é da pessoa, mas do ambiente. É um impedimento que só acontece se a pessoa com autismo encontrar barreiras físicas ou de atitude que a impeçam de usufruir os mesmos direitos de todas as demais.  O Aprendendo a Aprender é um projeto de inclusão, e inclusão é o resultado do esforço coletivo para remover obstáculos. DMA Psicopedagogia