O trabalho do
psicopedagogo na contemporaneidade é um trabalho norteado por ações
empreendedoras. E nada mais racional que ao trabalhar com o objeto de
seu estudo, o ser humano, o aprendente, que se faça um retrospecto
do que é e foi a sua vida. Como provocar a mudança de comportamento
no outro, se não buscar e empreender em si mesmo essa mudança?
Os profissionais psicopedagogos devem travar uma reflexão acerca do
seu objeto de estudo (aprendizagem, construção, aprendente) para
pensar e repensar sua prática, para assim possibilitar ao aprendiz
aprender relações de autonomia, confiança e liberdade. O
psicopedagogo deve trabalhar na diversidade. E o conceito de
diversidade, como afirma Sacristán (2002), está relacionado com as
aspirações dos povos e das pessoas à liberdade para exercer sua
autodeterminação. Ela então age no sentido de orientar e organizar
a prática educativa. Possibilita entender a cultura, a sociedade e
os vínculos sociais que a constroem.
O psicopedagogo
lida com a diversidade na sua prática, pois trabalha para a
transformação da realidade. Utiliza de atitudes, ideias,
habilidades e competências para oportunizar formas alternativas para
atender ou antecipar a situações emergentes.
De natureza
clínica e institucional, de caráter preventivo e\ou remediativo
(Código de Ética do Psicopedagogo, Art.3º), a psicopedagogia
promove a aprendizagem e busca o bem estar das pessoas, através de
análises e pesquisas, sempre com um trabalho criterioso e
investigativo.
Busca com sua
ação empreendedora despertar no aprendente o desejo de aprender e
de se autoconhecer. Passando assim, a ser seu próprio desafiador,
seu agente regulador do desenvolvimento pessoal, social e cognitivo.
O psicopedagogo através de um comportamento inovador, direcionado,
organizado, vai levar o aprendiz a se (re) construir como sujeito de
suas próprias ações. Para alcançar seus objetivos com sucesso,
precisa de planejamento. Planejamento que envolva o aprendente com
suas potencialidades e anseios. O projeto deve ser único e pessoal,
de acordo com as especificidades de cada sujeito. Levando em
consideração suas experiências, seu histórico familiar, suas
necessidades e seus desejos. Deve-se humanizar as relações e criar
vínculos afetivos para que a aprendizagem aconteça de forma natural
e progressiva.
O projeto em
si, deve levar o estudante à mudança e no modelo proposto por
Lewin, vemos que não adianta mudança sem incorporação e fixação
do novo comportamento. Dessa forma cabe ao psicopedagogo, contribuir
para que esse sujeito viva o “aprender a ser” e o “aprender a
aprender”, promovendo sua autonomia de pensamento e reflexão.
Tonucci (2006, p.69), nos fala que “o homem, como sujeito que
aprende, é constituído pelo que aprende, e não pode desvincular o
que faz no mundo, por sua capacidade de reflexão.”
O psicopedagogo
no mundo globalizado deve desenvolver e criar (estratégias)
empreendimentos inovadores que auxiliem com medidas preventivas,
remediativas e curativas no trato com o ser humano e seu
desenvolvimento.
Referências:
Código de Ética do Psicopedagogo da Abpp. Elaborado pelo Conselho
Nacional do Biênio 91,92 e reformulado pelo Conselho Nacional e Nato
do Biênio 95,96.
DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. OS QUATRO PILARES
DA EDUCAÇÃO. Unesco, Mec, Cortez Editora, São Paulo,1999.
SACRISTÁN, José G. A
construção do discurso sobre a diversidade e suas práticas. In:
ALCUDIA,
Rosa
et al. ATENÇÃO À DIVERSIDADE. Porto Alegre: Artmed, 2002
TONUCCI,
Francesco. COM OLHOS DE CRIANÇA. Porto Alegre: Artmed,2006.
Comentários
Postar um comentário