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O que é dislexia?


Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil

Grande parte dos estudantes que invertem letras no processo de alfabetização, age desta forma porque estas ocorrências são normais no processo de aquisição da linguagem escrita.
No entanto pesquisas realizadas em vários países demonstram que cerca de 10 a 15% da população mundial sofrem de um distúrbio de aprendizagem chamado dislexia.
A dislexia é definida como um transtorno de aprendizagem na área da leitura. É uma condição hereditária com alterações genéticas e neurológicas. Acomete crianças com inteligência dentro dos padrões de normalidade, sem deficiências sensoriais, isentas de comprometimento emocional significativo e com oportunidadeseducacionais adequadas.
Os déficits cognitivos que tem sua origem na alteração cerebral afetam uma ou mais funções que participam do processamento da leitura. Assim, os disléxicos não automatizam plenamente as operações relacionadas ao reconhecimento de palavras, empregando mais tempo e energia em tarefas de leitura.
A leitura lenta, trabalhosa e individual de palavras impede a habilidade de compreensão, mesmo que haja perfeita compreensão da língua falada. A situação dos disléxicos se torna mais complexa porque muitas pessoas, inclusive professores, desconhecem o distúrbio.
    No entanto, a linguagem é fundamental para o sucesso escolar. Ela está presente em todas as disciplinas e todos os professores são potencialmente professores de linguagem, porque se utilizam da língua materna como instrumento de transmissão de informações. Muitas vezes uma dificuldade no ensino da matemática está relacionada à compreensão do enunciado, do que ao processo operatório, do que ao processo operatório da solução do problema.
Apesar deste transtorno não ter cura, pode ser melhorado em até 80% desde que diagnosticado e tratado da forma adequada. Os disléxicos estão atrasados na leitura e na escrita, em relação a seus pares, no mínimo dois anos se a criança tem mais de dez anos, e um ano e meio, se tem menos dessa idade. Sendo assim, não é recomendado fazer o diagnóstico de dislexia até o início da terceira série do ensino fundamental.
O transtorno deve ser diagnosticado por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos clínicos, abrangendo se preciso o processo de avaliação para neurologistas, oftalmologistas, dentre outros profissionais.
Neste processo, é de grande importância que sejam obtidas informações sobre o potencial da criança, bem como suas características psiconeurológicas, seu desempenho e o repertório já adquirido. Informações sobre métodos de ensino pelos quais a criança foi submetida também são de grande significação.
Algumas características podem ser observadas com freqüência: dificuldades na aquisição de leitura e escrita; pobre conhecimento de rima; dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura, etc.) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.); desorganização geral; dificuldades visuais; dificuldades na lateralidade (direita e esquerda); vocabulário pobre; dificuldades na memória de curto prazo; dificuldades em decorar seqüências; dificuldades na matemática; problemas de conduta; como retração e timidez; grande desempenho em provas orais.
São apresentadas dificuldades em discriminação fonética e manifestação de inversões e confusões entre letras e sílabas com diferenças sutis de grafia, tais como: m/n, a/o, e/a, etc. Ocorrem também constantemente inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras durante a leitura. Ex: me – em, sol – los, sem – mos, sal – lãs, pal –pla.
A avaliação profissional adequada é essencial para um tratamento adequado, bem como o posterior tratamento. O acompanhamento profissional por parte do psicopedagogo pode durar de dois a cinco anos, dependendo do caso. Grande parte da intervenção psicopedagógica estará em buscar os talentos da criança, ajudando-a também a descobrir modos compensatórios de aprender. Jogos, leituras compartilhadas, atividades específicas para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção fazem parte do processo de intervenção.
À medida que a criança se percebe capaz de produzir, poderá avançar no processo de aprendizagem e iniciar o resgate da sua auto-estima. Da mesma forma, a atuação psicopedagógica será eficiente ao atingir a família do portador de dislexia, incorporando-a ao tratamento.
A ação deve se estender à escola, alertando os educadores de que o disléxico tem a capacidade para aprender, necessitando, no entanto de técnicas e estratégias que o auxiliem nessa jornada. Dentre estas estratégias os professores podem ajudar da seguinte maneira:
  • Sentar a criança disléxica sempre à frente;
  • Evitar chamar estes alunos de lentos, preguiçosos ou pouco inteligentes;
  • Evitar dar várias regras de escrita numa mesma semana;
  • Auxiliar a autoconfiança da criança, ressaltando seu bom desempenho em outras áreas, como música, esporte, artes, tecnologia, etc;
  • Possibilitar o reencontro com a leitura, partindo de textos curtos, interessantes, e lidos de forma conjunta, possibilitando que a leitura desperte nesta criança, sentimentos positivos.
  • Trabalhar com regras que relacionam fonologia-ortografia, bem como a compreensão de textos;
  • Valorizar sempre os trabalhos pelo seu conteúdo e não pelos erros de escrita;
  • Sempre que possível, realizar avaliações oralmente;
  • Diminuir as tarefas de casa que envolva demasiada leitura;
  • Combinar sempre que possível, a visão, a audição e o tato para colaborar no processo de leitura e soletração;
  • Dar um tempo maior para que o estudante faça o mesmo trabalho que os demais;
  • Utilizar vários recursos de apoio para apresentar a lição à classe, além do quadro negro. Ex: projetor de slides, retro projetor, vídeos e outros recursos multimídia;
  • Introduzir vocabulário novo ou técnico de forma contextualizada;
  • Evitar dar instruções orais e escritas ao mesmo tempo;
  • Propor trabalhos em grupo;
  • Propor atividades fora de sala, como dramatizações, entrevistas e pesquisas de campo;
  • Ler enunciados em voz alta.
Desta forma, os pais, os professores e o psicopedagogo deverão contribuir para uma progressiva melhora do quadro de dislexia, amenizando seus sintomas. O objetivo comum deverá ser o de ajudar o disléxico a lidar com suas próprias características, e aprender a conviver da melhor maneira com as dificuldades.
Por: Deborah Ramos | Psicopedagoga e Psicanalista Infantil
fonte: www.deborahramos.com


A Dislexia na perspectiva anatômica
Por : Ana Micheli (http://psicopedagogiaeducacao.blogspot.com.br/2010/07/dislexia-na-perspectiva-anatomica.html)

Conforme Crossman, no Córtex Cerebral podem ser distinguidas diversas áreas, com limites e funções relativamente definidos. A diferença entre elas reside na espessura e composição das camadas celulares e na quantidade de fibras nervosas que chegam ou partem de cada um.
O Córtex Cerebral possui divisões e, dentro desta, localiza-se o lobo parietal que é o responsável pela função da percepção, memória e análise visual. Ocorrendo uma disfunção neste lobo haverá o que chamamos de dislexia.
O Lobo Parietal – (localizado a partir do sulco central para trás). O lóbulo parietal superior é responsável pela interpretação da informação sensorial geral e pelo conhecimento consciente da metade contralateral do corpo. Nesse local, as lesões comprometem a interpretação e a compreensão das entradas sensoriais, e podem causar o abandono da outra metade do corpo. O lóbulo parietal inferior forma a interface entre o córtex sômato-sensorial e os córtices de associação visual e auditiva, respectivamente, dos lobos occipital e temporal, e, no hemisfério dominante, contribui para as funções da linguagem.
A lesão do corpo parietal esquerdo causa:
  • Crises parciais: ataques paroxísticos de sensações anormais, propagadas pelo lado contralateral do corpo (crises sensoriais).
  • Deficiências sensório-motoras: perda hemissensorial contralateral e perda do campo visual inferior.
  • Deficiências psicológicas: incapacidade de dar nome aos objetos e perda da capacidade de ler (alexia), escrever (agrafia) e calcular (acalculia).
A lesão do lobo parietal direito causa:
  • Crises parciais: ataques paroxísticos de perturbações sensoriais afetam o lado contralateral do corpo (crises sensoriais simples).
  • Deficiência sensório – motora: perda hemissensorial contralateral do campo visual inferior.
  • Deficiências psicológicas: incapacidade de copiar e de construir esquemas devido à desorientação espacial (apraxia de construção).


Sinais que aponta para a Dislexia

1 Antes da alfabetização – mais ou menos aos 03 e 04 anos:
  • Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem.
  • Dificuldade de decorar versos, aprender canções e contar histórias, fazer rimas e narrar histórias.
  • Problemas na motricidade fina (recortes com tesoura, desenhos) e na grossa (caminha de forma desengonçada, tropeça com facilidade).
  • Falta de interesse em livros. Só se interessa por aqueles que tenham muitas figuras.
  • Dificuldade com quebra-cabeças.
  • Confunde conceito de ontem/hoje/amanhã (orientação temporal).
  • Sabe separar fichas por cores, mas não decoram o nome da cor.
  • Incidência maior em canhotos e ambidestros.

  • Sinais da idade escolar
  • Ocorrem trocas ortográficas, mas dependem do tipo de dislexia (em 80% dos casos, a letra do disléxico será é feia ou com incidência de inversão, como “b” virado).
  • Problemas para reconhecer rimas e fonemas repetidos.
  • Desatenção e dispersão.
  • Desempenho escolar abaixo da média em matérias específicas que dependem da linguagem escrita.
  • Dificuldade de coordenação motora fina (para escrever, desenhar e pintar) e grossa (descoordenação).
  • Dificuldade de copiar as lições do quadro ou de um livro.
  • Confusão entre esquerda e direita, observáveis na ginástica e no trabalho com mapas.
  • Dificuldade de expressão: vocabulário pobre, frases curtas, estrutura simples e sentenças vagas.
  • Esquecimento de palavras.
  • Problemas de conduta.
  • Desinteresse ou negação da necessidade de ler.
  • Leitura demorada, silabada. Esquecimento de tudo o que lê.
  • Desnível entre o que ouve e o que lê (aproveita o que ouve, mas não o que lê).

Além disso, os indivíduos disléxicos podem apresentar:
  • Família com histórico de dislexia ou dificuldades de aprendizagem.
  • Dificuldades em ler relógio analógico e saber seqüência dos meses.
  • Dificuldades na aprendizagem de língua estrangeira.
  • Podem manifestar problemas emocionais relacionados a auto-estima, frustração, ansiedade e até mesmo atitudes agressivas.
  • Dificuldade de retenção de texto (precisam ler mais de uma vez para entender).
Nem todos os disléxicos desenvolvem os mesmos dons, mas eles certamente possuem algumas funções mentais em comum.
Seguem as habilidades básicas de que todos os disléxicos compartilham:
  • São capazes de utilizar seu dom mental para alterar ou criar percepções (a habilidade primária).
  • São altamente conscientes do meio ambiente.
  • São mais curiosos que a média.
  • Pensam principalmente em imagens em vez de palavras.
  • São intuitivos e capazes de muitos insights.
  • Pensam e percebem de forma multidimensional (utilizando todos os sentidos).
  • Podem vivenciar o pensamento como realidade.
  • São capazes de criar imagens muito vívidas.

Estas oito habilidades básicas se não forem suprimidas, anuladas ou destruídas pelos pais ou pelo processo educacional resultarão em duas características: inteligência acima do normal e extraordinária criatividade. A partir daí, o verdadeiro dom da dislexia gera o dom da mestria. Este dom se desenvolve de muitas maneiras e em muitas áreas. Para Albert Einstein, foi na física; para Walt Disney, nas artes; para Magic Johnson, no esporte.
Ou seja, é um transtorno severo e persistente da aprendizagem da leitura e escrita em indivíduos com condições intelectuais normais e freqüência escolar adequada. Mais especificamente, a dislexia é um transtorno específico nas operações envolvidas no reconhecimento das palavras e compromete, em maior ou menor grau, a compreensão da leitura. 
A dificuldade é de um grau clinicamente significativo, medido por testes padronizados, apropriados à cultura e ao sistema educacional. Os disléxicos estão atrasados, na leitura e na escrita no mínimo dois anos com relação aos seus colegas. Existe uma moderada evidência de origem genética, o que requer um tratamento e que envolve um processo laborioso, sujeito a recaídas e, fundamentalmente, associado à família e à escola, demandando também uma equipe multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento, sendo que, a equipe, deve ser composta por neurologistas, psicólogos, psicopedagogo e fonoaudiólogo.






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