TEXTO DE MANUEL VÁZQUEZ GIL

Este texto é uma espécie de reforço de conceitos que já divulguei aqui, e que repriso no intuito de ajudar você a compreender melhor a egodistonia de que falei ontem. Desculpe ocupar seu tempo, mas foi um alerta de uma amiga, que me alertou para o fato de que tenho amigos novos que talvez não tenham lido.
Para facilitar ainda mais, porque os termos da psicanálise nem sempre são fáceis, uso algumas definições de Erick Berne, misturadas aos ensinamentos de Freud e conclusões minhas.
Admitamos que o Id é a Criança, o Superego é o Pai e o Ego é o Adulto. Perceba que Pai e Adulto são conceitos distintos, e até por isso as palavras estão grifadas em maiúsculas.
Nascemos Id puro. Totalmente inconsciente, o Id age pelo princípio do prazer e não é controlável. Na verdade, ele nos controla. A palavra significante do Id é “sim” (“eu posso, eu quero, eu faço”). Não tem noção de perigo, de conseqüências ou de limites. Age por impulso, buscando sempre satisfazer um desejo e obter prazer. Por isso chamamo-lo de Criança.
O Superego é introduzido pela cultura, em geral pelos pais. Representa a lei e a ordem, age pelo princípio do dever, da repressão dos impulsos oriundos do ID. O Superego é totalmente consciente, e sua palavra significante é o “não” (“eu não posso, eu não devo, eu não faço”). Daí ser chamado de Pai: a palavra mais ouvida da boca de um pai é o não.
O Ego é o Adulto. Criado a partir do Id e do Superego, é parte inconsciente e parte consciente. Negocia as demandas dos dois primeiros, de modo a manter um equilíbrio mental saudável. Começa a se formar com o surgimento da comunicação ativa, mas só está completo após os oito anos, e só se consolida na idade adulta, até por isso decidimos chamá-lo de Adulto. Sua palavra significante é o “talvez” (“de acordo com as condições, local, pessoas presentes, talvez eu possa, eu deva, eu faça”).
Olhe para a balança antiga de farmacêutico: sua mente é assim. No prato direito são depositados os desejos do Id; no esquerdo, as repressões do Superego. A Cultura impõe certas regras a serem seguidas. A cada novo desejo, você coloca uma repressão, porque você tem que manter o equilíbrio. Com o tempo, a balança pesa e pesa, e o braço quebra. É o momento em que você procura o psicólogo, embora devesse tê-lo visitado antes da quebra.
Um Ego sadio e fortalecido não deixaria isso acontecer. Ele diria que você pode e deve satisfazer alguns desejos, dentro de algumas condições, para que a balança se equilibrasse mais alta e mais leve. Se o braço quebrou foi porque o Superego dominou seus atos e suplantou o Ego na negociação.
Egossintonia e Egodistonia são duas condições psicológicas que impedem o Ego de fazer a mediação com sucesso, e deixam você doente. Num resumo breve, o trabalho do terapeuta é fortalecer seu Ego, para que ele possa fazer intervenções corretas e negociações saudáveis, e livre você dos medicamentos e das terapias.
Voltaremos ao assunto, que é longo e não cabe num post aqui.
Comentários
Postar um comentário