Texto de Manuel Vazquez Gil
Com certeza você já ouviu dizer que cada um de nós tem uma maneira própria de aprender. Embora evidentemente haja diferenças individuais na aquisição do aprendizado, é claro que existe um exagero nessa afirmação, e que podemos agrupar as pessoas em alguns modelos de ensino/aprendizado: não seria possível uma escola com 500 alunos e 500 modelos pedagógicos.
Em primeiro lugar, é preciso definir o que é “aprendizagem”. Eu a defino como sendo “o momento em que um sujeito adquire conceitos abstratos e consegue aplica-los em situações reais do seu cotidiano”. Como amarrar um tênis, ou conferir o troco.
Tem que prestar atenção agora: há dois eixos principais no fazer diário, cada um deles com dois conceitos opostos.
1 – o eixo sentir-pensar, que será nosso eixo vertical;
2 – o eixo fazer-observar, que será nosso eixo horizontal.
Considere que os opostos não podem jamais estar juntos: ou você sente, ou pensa; ou você observa, ou faz. Os modelos de aprendizado estarão na interseção dos dois eixos, a saber:
1 – você sente e faz – é um estilo que depende mais da intuição que da lógica. A aprendizagem depende do outro para obter informações e posterior análise intuitiva. Você é atraído por novos desafios e gosta de seguir planos;
2 – você sente e observa – como o nome do modelo já antevê, você prefere observar a fazer, resolve problemas usando a imaginação depois de reunir bastantes informações. Você tem o dom de reunir diferentes pontos de vista, e tendência às artes, devido à sua sensibilidade. Gosta de trabalhar em grupo e ouvir opiniões alheias, mantendo a mente aberta ao novo;
3 – você pensa e faz – modelo de aprendizagem prática, de orientação técnica. Gosta de experimentar e trabalhar com situações reais, preferindo resolver problemas de questões práticas e fugindo das questões pessoais e relacionais;
4 – você observa e pensa – típico do campo das ciências, nesse modelo você prefere trabalhar com conceitos abstratos. Compreende um amplo espectro de informações e tem a capacidade de reuni-las num formato lógico (como o que estou fazendo aqui).
Compreender seu próprio modelo de aprendizagem vai ajudar você a compreender o modelo do outro, e reunir as pessoas dentro de um dos quatro tipos. Vai ajuda-lo, também, a quebrar sua crença de que pode haver, numa classe, 25 alunos aprendendo de uma maneira e 1 com abordagem diferente. Provavelmente, aquele aluno que insistem em chamar de “aluno de inclusão” tem um modelo de aprendizagem semelhante a muitos dos seus colegas, e só precisa ser incentivado a interagir com eles.
Vamos começar do começo: descubra seu modelo de aprendizagem. Depois, voltamos ao assunto para dividir nosso grupo nos 4 modelos. Porque o processo é de ensino/aprendizagem e, nele, você vai ensinar e vai aprender. Então precisa saber qual é seu modelo, para potencializar seu aprendizado e, em consequência, poder ensinar melhor.
Obs.: sinestesia: figura de palavra que consiste em misturar, numa expressão, sensações dos diferentes órgãos dos sentidos)
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