TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL
A figura de hoje mostra o paradigma do Behaviorismo Radical, segundo B.F. Skinner. Behavior significa "comportamento", e essa linha psicológica é a base para todos os modelos comportamentais que são usados hoje. Parte do princípio de que a um conjunto de estímulos (S), corresponde um conjunto de respostas previsíveis (R).
Em suma: para alterar uma resposta, ou um comportamento, precisamos mudar o estímulo, ou o ambiente. E o psicólogo comportamental seria especializado em encontrar o ambiente adequado para o comportamento desejado.
Leiam e gravem, por favor: "psicologia comportamental não é movimentar fios para que o sujeito dance conforme nossas ordens; psicologia comportamental é adequar o ambiente para que o sujeito se adapte e possa, ele mesmo, ir modificando esse ambiente". Cito de memória, então deve ter a redação diferente, mas o espírito é esse mesmo. As palavras são de Skinner.
Abandonei a psicologia comportamental por dois motivos. O primeiro está descrito nas palavras do mestre fundador: fica claro que ele não pretendia modificar o sujeito, até porque o paradigma S-R é claro demais, basta ver a figura. O segundo foi causado por um conflito ético interno e particular: é pressuposto básico da psicologia que o terapeuta não deve aceitar interferências de terceiros, e que o contrato é fechado com o seu cliente. Como meus clientes eram as crianças, e como os pais (e às vezes os médicos, e outras vezes os professores) sempre tentavam interferir, mudei de área.
Voltemos ao Behaviorismo e seu paradigma: falta um elemento crucial no sistema S-R que compartilho: o reforçamento. Skinner ensinava que a mudança e a manutenção do novo comportamento depende mais do que vem depois (o Reforçamento), do que do que veio antes (o Estímulo). Em outras palavras: a mudança depende mais da redução dos danos causados pelas consequências do que do conhecimento das causas. A vasta teoria dos reforçamentos vai me obrigar a escrever outros textos, mas acho que já compreendeu.
Pode-se dizer que todas as áreas da Psicologia usam como base o S-R. Até a Psicanálise. A diferença básica é que a Psicanálise entende que entre o Estímulo e a Resposta existe uma mente, com histórias, culturas, vivências e inconsciente próprios. Então busca conhecer o mundo interior do sujeito e não aceita o automatismo que diz que a um certo conjunto de estímulos corresponde um determinado conjunto de respostas.
O que vejo no set terapêutico, observando as causas, as consequências e o vasto mundo interno entre uma e outra: a busca das causas é dolorosa, difícil e demorada, e causa incômodos que dificultam a pacificação. A busca das causas remexe feridas, reabre chagas, provoca desconforto. A política de redução de danos das consequências traz a melhora, porque é o reforçamento que modifica e solidifica a mudança.
Sem contar que cada pesquisador vai encontrar uma causa e, entre dezenas, você vai ter que escolher uma. Que pode estar errada e causar mais danos do que o necessário. Por isso sempre aconselho: se puder usar sua energia para reduzir danos, não a gaste na busca das causas. A vida é breve e, como aconteceu na maioria dos casos, pode ser até que a sua acabe antes de encontrar a causa. Pior: morrerá sem ter reduzido os danos das consequências.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos

Comentários
Postar um comentário