HORA DE PENSAR: o que fizemos em 2014? é possível continuar? o que podemos mudar? incluímos ou excluímos com nosso processo de avaliação?
Trabalharemos com alguns textos que tratam desses assuntos.
Bora ler e pensar:
Trabalharemos com alguns textos que tratam desses assuntos.
Bora ler e pensar:
FIM DE ANO
Manuel Vazquez Gil
Aproveito as
últimas horas do ano letivo para visitar as escolas com as quais convivo nos
últimos tempos. Em algumas fazemos avaliações do projeto, em outras começamos
as capacitações das equipes escolares para o próximo ano. Percebo, em algumas
delas, as mesmas dificuldades: 1 - as pessoas ainda acham que escola é um
prédio onde uns ensinam e outros aprendem; 2 - as pessoas que não estão na sala
de aula não se sentem educadoras; 3 - as pessoas não têm noção da atividade que
exercem; 4 - as pessoas não compreendem quem é o cliente da escola.
Sigo por partes:
1 - Uma escola não
é o prédio. A primeira escola de verdade, o Liceu de Aristóteles, nem tinha uma
casa para acolher os estudantes, e eles caminhavam pelas ruas, aprendendo com
os acontecimentos cotidianos. O mestre era apenas um intermediário entre a
natureza e os estudantes. Em grego, aliás, "skholé" significa
"tempo de lazer": não era um lugar fixo, mas um tempo livre que
servia para aprender com prazer. Pense na sua faculdade: você trabalha, cuida
dos filhos, faz suas tarefas e, no tempo livre, vai pra facul, e lá é um tempo
agradável de lazer. Toda escola deveria ser isso.
Uma escola é a
reunião de professores, funcionários, estudantes e suas famílias e comunidade,
para usufruir do maior prazer que o homem pode obter, a aquisição e troca de
conhecimentos. Um tempo de lazer.
2 - Todas as
pessoas que fazem parte da escola são educadoras: faxineiros, perueiros,
cantineiros, porteiros, secretários, auxiliares, professores, coordenadores,
diretores, estudantes, familiares, comunidade. Todos devem ser capacitados para
a prática educativa e para os cuidados com os estudantes da escola. A
responsabilidade é coletiva, e se um estudante não aprende o suficiente, todos
são responsáveis.
3 - Sempre
pergunto, antes das capacitações, o que faz cada um dos participantes, e é
comum ouvir "secretária", "professora",
"segurança", "cozinheira". Ora, uma escola é um
estabelecimento de ensino cuja característica é a monocultura: dali sai apenas
um produto, o aprendizado. Como é possível que num estabelecimento que produz
apenas um produto possa haver tantas funções paralelas? Não, moças, não,
rapazes, todos aqui produzem apenas uma coisa: aprendizado! Uns apoiam outros,
e constituem uma rede para que aquelas crianças possam se tornar cidadãos
plenos de direitos e deveres. Se eu cozinho, você serve, outro faz a limpeza e
outra ainda cuida da segurança, é apenas com um único objetivo: o aprendizado.
Esse deve ser o foco de todos, todo o tempo, ou o produto final não terá a qualidade
desejada.
4 - E quem é o
cliente que a equipe deve servir? O estudante! Ele é o único cliente de uma
escola, e isso jamais deve ser esquecido. Porque tenho ouvido muitas e muitas
vezes de funcionários da escola que os clientes são os pais, mas não são: os
pais fazem parte da equipe da escola, juntam-se, ou deveriam juntar-se, ao
grande time de educadores cuja função é formar cidadãos. Claro que muitas vezes
são os próprios pais que reivindicam a condição de clientes, mas não são: eles
são os responsáveis por levar o cliente à escola, mas todo o esforço tem que
ser concentrado para a satisfação do cliente, para a satisfação das suas
necessidades.
Duas ou três horas
depois encerramos. Antes de sair, pergunto o que cada um faz. Todos respondem:
faço educação, ofereço aprendizado. Para quem? Para o cliente, o estudante.
Como? Unindo esforços e colaborando para que a tarefa do sujeito que está lá na
sala de aula, o professor, possa fazer o melhor trabalho possível. E o que
somos? Educadores, somos todos educadores. E o que é a escola? A união de
educadores, estudantes, famílias e comunidade para oferecer às crianças o
melhor tempo de lazer que puderem obter.
Agora só falta
convencer as famílias, mas chego lá, desistir não é um verbo que gosto de
conjugar.
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