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FIM DO ANO LETIVO: HORA DE PENSAR NOVAS ABORDAGENS PARA 2015

HORA DE PENSAR: o que fizemos em 2014? é possível continuar? o que podemos mudar? incluímos ou excluímos com nosso processo de avaliação?
Trabalharemos com alguns textos que tratam desses assuntos.
Bora ler e pensar:


FIM DE ANO

Manuel Vazquez Gil

Aproveito as últimas horas do ano letivo para visitar as escolas com as quais convivo nos últimos tempos. Em algumas fazemos avaliações do projeto, em outras começamos as capacitações das equipes escolares para o próximo ano. Percebo, em algumas delas, as mesmas dificuldades: 1 - as pessoas ainda acham que escola é um prédio onde uns ensinam e outros aprendem; 2 - as pessoas que não estão na sala de aula não se sentem educadoras; 3 - as pessoas não têm noção da atividade que exercem; 4 - as pessoas não compreendem quem é o cliente da escola.
Sigo por partes:
1 - Uma escola não é o prédio. A primeira escola de verdade, o Liceu de Aristóteles, nem tinha uma casa para acolher os estudantes, e eles caminhavam pelas ruas, aprendendo com os acontecimentos cotidianos. O mestre era apenas um intermediário entre a natureza e os estudantes. Em grego, aliás, "skholé" significa "tempo de lazer": não era um lugar fixo, mas um tempo livre que servia para aprender com prazer. Pense na sua faculdade: você trabalha, cuida dos filhos, faz suas tarefas e, no tempo livre, vai pra facul, e lá é um tempo agradável de lazer. Toda escola deveria ser isso.
Uma escola é a reunião de professores, funcionários, estudantes e suas famílias e comunidade, para usufruir do maior prazer que o homem pode obter, a aquisição e troca de conhecimentos. Um tempo de lazer.
2 - Todas as pessoas que fazem parte da escola são educadoras: faxineiros, perueiros, cantineiros, porteiros, secretários, auxiliares, professores, coordenadores, diretores, estudantes, familiares, comunidade. Todos devem ser capacitados para a prática educativa e para os cuidados com os estudantes da escola. A responsabilidade é coletiva, e se um estudante não aprende o suficiente, todos são responsáveis.
3 - Sempre pergunto, antes das capacitações, o que faz cada um dos participantes, e é comum ouvir "secretária", "professora", "segurança", "cozinheira". Ora, uma escola é um estabelecimento de ensino cuja característica é a monocultura: dali sai apenas um produto, o aprendizado. Como é possível que num estabelecimento que produz apenas um produto possa haver tantas funções paralelas? Não, moças, não, rapazes, todos aqui produzem apenas uma coisa: aprendizado! Uns apoiam outros, e constituem uma rede para que aquelas crianças possam se tornar cidadãos plenos de direitos e deveres. Se eu cozinho, você serve, outro faz a limpeza e outra ainda cuida da segurança, é apenas com um único objetivo: o aprendizado. Esse deve ser o foco de todos, todo o tempo, ou o produto final não terá a qualidade desejada.
4 - E quem é o cliente que a equipe deve servir? O estudante! Ele é o único cliente de uma escola, e isso jamais deve ser esquecido. Porque tenho ouvido muitas e muitas vezes de funcionários da escola que os clientes são os pais, mas não são: os pais fazem parte da equipe da escola, juntam-se, ou deveriam juntar-se, ao grande time de educadores cuja função é formar cidadãos. Claro que muitas vezes são os próprios pais que reivindicam a condição de clientes, mas não são: eles são os responsáveis por levar o cliente à escola, mas todo o esforço tem que ser concentrado para a satisfação do cliente, para a satisfação das suas necessidades.
Duas ou três horas depois encerramos. Antes de sair, pergunto o que cada um faz. Todos respondem: faço educação, ofereço aprendizado. Para quem? Para o cliente, o estudante. Como? Unindo esforços e colaborando para que a tarefa do sujeito que está lá na sala de aula, o professor, possa fazer o melhor trabalho possível. E o que somos? Educadores, somos todos educadores. E o que é a escola? A união de educadores, estudantes, famílias e comunidade para oferecer às crianças o melhor tempo de lazer que puderem obter.
Agora só falta convencer as famílias, mas chego lá, desistir não é um verbo que gosto de conjugar.

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