Texto de Manuel Vázquez Gil
A inclusão teria mais qualidade e a vida seria melhor se as pessoas tivessem memória histórica:
.primeiro, a lei 12.764 não pregava nem desejava a inclusão escolar e tinha um artigo que isentava o gestor escolar de fazer a matrícula e não ser punido por isso. Essa liderança jamais lutou por uma escola mais inclusiva, e dedica-se hoje à criação da Clínica Escola, excludente por natureza, o que até pode explicar o movimento de tentar aprovar uma lei que alijava autistas da escola regular.
.segundo, a liderança da época tentou negociar, em audiência secreta com a Ministra-chefe da Casa Civil, Gleise Hoffmann, a aprovação do decreto que regulamentava a lei, com esse artigo excludente.
.terceiro, isso só foi revertido graças à grita de algumas pessoas nas redes sociais, que se agigantou sob a liderança da Abraça, e que fez com que a relatora do projeto na Câmara recebesse alguns dos que estava gritando.
.quarto, a relatora só se convenceu graças às palavras de um menino autista de 10 anos de idade, que lhe disse que a escola especial era preconceituosa porque não aceitava os diferentes, e que ele não queria ser mandado para uma escola onde seus amigos não pudessem estar. Infelizmente, ainda precisamos da fala desse menino para não prevaricar e ceder.
.quinto, a inclusão não foi inventada para autistas, ela é um preceito constitucional desde 1988, com os artigos 205 a 208, e referendada pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que em 2009 tornou-se um adendo à Constituição;
.sexto, o que a lei 12.764 fazia, na verdade, era tirar esse direito, com o tal parágrafo do art. 7. Que só foi revertido com muita luta e sacrifício.
.sétimo, assusta o fato de que um único projeto faça inclusão como ditam as leis, a Constituição, a Convenção e a LBI, e que esse único projeto tenha saída da cabeça de um pai de autista.
.oitavo, inclusão, definitivamente, não é oferecer intervenções, auxiliar, materiais e provas adaptadas. Tudo isso são adaptações razoáveis para que o aluno com deficiência (e não só o aluno autista), possam ter acessibilidade aos mesmos direitos das demais crianças, ferramentas para a inclusão, mas não é inclusão.
.nono, inclusão é o resultado do trabalho coletivo de remoção de obstáculos, sejam de ambiente, sejam de atitudes.
.décimo, não, o professor não tem que conhecer sobre autismo, ele tem muitos alunos, todos diferentes, é obrigação dele incluir todos,e a grade curricular da faculdade não inclui nem deve incluir autismo, como não inclui Paralisia Cerebral, Down, Willians, West, Rett, Prader Willi, Xfrágil, Angelman, Esclerose Lateral Amiotrófica e semelhantes. O professor só tem que saber remover as barreiras físicas, pedagógicas e atitudinais, que impedem alguns alunos de conviver em igualdade de condições com os demais. Para isso, o que menos importa é o diagnóstico médico.
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