Texto de Manuel Vázquez Gil
Hoje quero lhe apresentar meu amigo David Rosenhan, professor da Universidade de Stanford. Em 1973 David conduziu um experimento fascinante: treinou 8 pessoas (3 psicólogos, 1 psiquiatra, um pediatra, uma dona de casa um pintor de paredes e um estudante de pós-graduação em Psicologia, totalizando 5 homens e 3 mulheres), nos sintomas da esquizofrenia.
O objetivo era que essas pessoas conseguissem uma internação em 12 hospitais diferentes, públicos e privados, em 5 estados diferentes dos Estados Unidos.
David chamou esses voluntários de pseudopacientes.
Pois eles marcaram consulta e todos conseguiram a internação psiquiátrica ao relatarem ao psiquiatra que ouviam vozes estranhas vindas de pessoas do mesmo sexo.
Tendo conseguido a internação, todos pararam de fingir, e começara a interagir com os funcionários e pacientes normalmente. Eles deveriam convencer a equipe que já estavam bem e conseguir a liberação, sem mencionar o experimento. Mesmo assim, a tempo médio de internação foi de 19 dias, alguns deles tendo permanecido no hospital 52 dias.
Após a primeira parte do estudo, David visitou um hospital e contou sobre o experimento. Avisou à equipe que, nos próximos 3 meses, mandaria pseudopacientes tentando a internação. A equipe deveria classificar cada novo paciente, numa escala de 10 pontos, sobre a possibilidade de ser ou não um pseudopaciente.
Nesse período chegaram 193 pacientes novos. 41 foram classificados como pseudopacientes segundo a equipe; 23 foram considerados pseudopacientes por um psiquiatra; 19 foram considerados pseudopacientes segundo um membro da equipe e um psiquiatra, num total acumulado de 83 pseudopacientes (31%).
Detalhe: David não enviou ninguém nesse período, todos os pacientes eram reais.
David demonstrou que psiquiatras são incapazes de diferenciar, de forma confiável, entre a sanidade e a insanidade: enquanto o primeiro experimento mostrou a dificuldade em identificar a sanidade, o segundo mostrou a dificuldade de identificar a insanidade.
Embora o experimento não tenha sido ético, já que se baseou na mentira, ele mudou os rumos do DSM: na época de 1980, o manual psiqiuátrico foi revisado para minimizar os erros diagnósticos da loucura.
O que não quer dizer que resolveu o problema: ainda temos muitos loucos sem nenhum cuidado, e muitos sãos com diagnósticos no bolso e um milhão de pílulas na cabeça.
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