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NEUROEPISTEMOLOGIA - 4

Texto de Manuel Vazquez Gil

Conheça Winthrop e Luella Kellog, este simpático casal de psicólogos. Eles amarraram suas vidas em todos os planos e tentam responder a uma questão tão intrigante quanto reveladora: qual é a importância dos pais na construção da personalidade dos filhos?
Pois quando Luella engravidou, eles traçaram um plano: assim que o bebê nascesse, iriam adotar um outro bebê órfão e criar os dois de forma semelhante. Acreditavam, assim traçar a força dos pais biológicos e dos adotivos na personalidade de cada um.
Quando Donald nasceu, eles adotaram Gua, uma bebê órfã de 5 meses de idade. Detalhe: Gua era uma linda e simpática chimpanzé!
Luella e Winthrop criaram seus filhos com os mesmos cuidados e carinho, mas logo perceberam que Gua desenvolvia-se mais rapidamente do que Donald, tanto nas habilidades motoras, quanto na aquisição da "linguagem", quanto na autonomia das atividades da vida diária, de modo que Gua passou a ser o modelo seguido por Donald.
O garoto preferia seguir a irmã em suas aventuras do que ficar com os pais e aprender com eles outras habilidades. Passou, inclusive, a se comunicar na linguagem falada e gestual de Gua.
O casal não chegou a contar quando e porque a experiência terminou, mas publicou algumas conclusões interessantes, que confirmavam suas hipóteses calcadas em observações anteriores: a importância dos pais na formação da personalidade dos filhos é quase nula. O que os pais fazem para modelar os filhos está mais evidenciado na escolha dos amigos com quem os filhos irão conviver e aprender enquanto crescem, em especial na escolha da escola, porque será com eles que formará a personalidade que levará para toda a vida.
Embora chocante à primeira vista, a conclusão é óbvia e vai de encontro ao que sempre digo sobre inclusão: crianças aprendem umas com as outras. Lança luz, também, sobre os danos à construção de uma personalidade sadia causados por escolhas restritivas como escola especial, onde não há diversidade suficiente para formação de personalidade aberta às diferenças.
Atenção: não pense que Donald seguia Gua porque era um menininho burrinho, ele chegou a ser professor em Harvard, embora mantivesse na personalidade adulta traços marcantes da convivência com sua irmã esperta e sapeca.

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