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A INCLUSÃO COMO FILOSOFIA DE VIDA

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL

Conheço algumas escolas que adotaram a inclusão como filosofia de vida. Muito mais do que uma estratégia para inserir o aluno no meio social e promover o ensino das disciplinas escolares, essas escolas escolheram ser inclusivas para todos os seus alunos, suas famílias e a comunidade em torno.
Dentro desse princípio, que vem lá de dentro do peito, todas as pessoas que passam pelo portão estão ali para serem incluídas no ambiente escolar. O afeto e o acolhimento é para todos, e não só para o aluno com deficiência. A menina que esqueceu o livro, a avó que precisa de um conselho, o pai que veio buscar informações, o menino que não tomou café em casa, a menina que não para quieta, a outra que não fala nada, o vizinho que chutou a bola pra dentro da escola, a associação de bairro que precisa de um espaço para uma reunião, a juventude da rua que quer a quadra emprestada, todos, sem exceção, têm o mesmo tratamento por parte da equipe escolar.
Essas são escolas acolhedoras, e atingem suas metas pedagógicas e institucionais sem atritos sérios e sem quebras de confiança. Todos têm voz, liberdade para dizer o que pensam e sentem, sem receio de reprimendas ou castigos.
Quando a escola assume essa filosofia de vida, todos seus alunos estão acolhidos, se sentem seguros e correspondem: nessas escolas não há pichações, vandalismo, destruição de patrimônio: quando podemos falar o que nos incomoda, não usamos as paredes do banheiro pra contestar e nem quebramos o vaso sanitário para nos vingar.
Há uma coincidência que marca essas escolas acolhedoras: o número baixo de auxiliares especializados, que alguns chamam de monitores. Num ambiente assim, crianças adotam crianças e os mais aptos cuidam dos menos aptos. O clima de solidariedade favorece a troca, e até o aprendizado é potencializado. Em algumas dessas não há nenhum monitor, apenas cuidadores para crianças que necessitam cuidados físicos.
Uma grande família, onde todos são irmãos e brigam e se cuidam como irmãos.
É emocionante assistir cenas dentro das salas de aulas dessas escolas: o garoto que ficou furioso e queria bater em todo mundo, e que foi levado de volta ao lugar pelo melhor amigo; a menina que chorava para não entrar, e foi convencida por outra menina da mesma idade; a menina surda que se comunica com alguns colegas pelo olhar; o menino que entra em crise e vai para outra sala em busca da menina que sempre o acolhe. Nem preciso citar meu filho e aqueles meninos e meninas que o protegem e acalmam.
Outro dia, numa dessas escolas acolhedoras, um garoto empurrou a monitora para fora da sala, fechou a porta e voltou para o seu lugar.
Se a nossa ansiedade de pais pudesse ser reduzida, e se a escola tomasse como filosofia de vida o acolhimento de todos, a inclusão seria uma realidade mais rápida e segura, como é nessas escolas. Como demonstrou aquele garoto, todos desejam a autonomia e o tratamento igualitário, ninguém quer ser a exceção. Não é preciso esperar por um gesto assim, basta bom senso para perceber quando o monitor não é necessário.
P.s: com os agradecimentos aos meninos e meninas que adotaram meu filho quando eu o troquei de escola, porque a anterior exigira um monitor. O convívio direto, sem intermediários, beneficiou a todos, e todos serão adultos melhores.

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