TEXTO DE MANUEL VÁZQUEZ GIL
A primeira declaração dos direitos humanos da era moderna foi anunciada em 30 d.C, por Jesus, quando abraçou leprosos, perdoou pecadores, acolheu Madalena, jantou com o gentios, aceitou Saulo e declarou que todos têm direito à vida e à liberdade, porque todos nascem iguais e livres.
Depois, em fins do século XIII a vitoriosa revolução francesa derrubou a Bastilha e colocou no papel mais uma dessas declarações iguais às do Cristo.
Precisamos de algumas guerras sangrentas, milhões de mortos e desalojados para forjar a terceira, a universal Declaração dos Direitos Humanos, já em meados do século XX.
Chamam-se "declarações", e não leis, porque os direitos humanos existem desde que o homem surgiu na face da terra, era preciso apenas declarar para quem de direito que é desse jeito.
Em todas as vezes que surge algo desse tipo pessoas que não gostam ou não entendem voltam-se contra elas. A simples ideia de que, ao nascer o homem já é livre provoca comichões e estertores em muita gente, que se arma para combater essa coisa maluca.
Assim morreu Jesus, o judeu louco dos direitos humanos, assim guerras tentaram sufocar o legado da revolução francesa, assim se movimentam esses cadáveres insepultos para sufocar o símbolo máximo dos direitos humanos, o direito a pertencer ao grupo, ao que chamamos de inclusão.
A Secretaria dos Direitos Humanos, que era ministério autônomo, está agora sob a jurisdição do Ministério da Justiça, justamente aquele que é um dos depósitos de violações a esses direitos; bancadas BBB no Congresso sufocam minorias e criam leis que obstaculizam a liberdade de ser e de existir; ressurgem movimentos de internalização de pessoas com deficiência; o Senado flerta com mudanças nas leis que dão voz e protagoniismo, como a LBI, para permitir interdições. Exemplos abundam.
Estamos reconstruindo Bastilha. De dentro dela, reis e rainhas comerão brioches e rasgarão declarações dos direitos humanos. Muitos fazem isso em nome de Deus, e têm toda razão, nada no Antigo Testamento demonstrava respeito por esses direitos. Perdem a razão quando falam em nome do povo ou em nome de Jesus: o Novo Testamento é uma declaração dos direitos humanos, um chamamento à tolerância e à convivência e um manual de inclusão.
Por isso é bom ser um ateu cristão.
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