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ALTA VOLTAGEM


Vou lhe contar uma história
pegue o café, sente e beba,
aquiete-se e tome tento,
feche o olho e só perceba:
vi um balaio de milagres
num treco chamado EBA.
Foi algo de arrepiar,
de doutor perder certeza,
tamanha a força da luz,
tão grande foi a beleza,
foi à sombra de Iracema,
nas terras de Fortaleza.
Pedro, que não fala, falou,
Max, que não sabia ler, leu.
Bruno me entrevistou,
Carol me enterneceu,
Paulo vazou o segredo,
Luan fez rir e venceu.
Bruna expôs o que pensava,
Isadora, o que sentia,
Vicente, a quem namorava,
Fúlvio de quem se escondia,
Mateus o que pesquisava,
Davi o quanto escrevia.
Fernanda, por que desenhava,
João, a quem defendia,
Gabriel o que rimava,
Wilson o que produzia,
Amanda o que circulava,
Maiara o que não conduzia.
Tiago e o encanto do canto,
Rita e o poder de escuta.
Miguel e a magia da música,
montes de coisas malucas,
a paz de mentes brilhantes,
o brilho de Eric Lucas.
As mulheres e os homens,
a guria e o pimpolho,
o extrovertido e o tímido,
qualquer um que eu escolho,
meteram, de uma vez,
esta trave no meu olho.
Quem viu não vai esquecer:
coração na ribanceira,
o olho era bica d'água,
a face era cachoeira,
tudo era poesia
em forma de brincadeira.
Autistas de toda idade
plenos de sapiência
desfilando tolerância
desafiando a ciência.
Banho de realidade
um mundo de eficiência.
Maravilhado, em êxtase,
eu pensava: de onde veio
tanta gente que ensina,
tanta paz, tanto centeio?
quem teve a ideia supimpa,
de chacoalhar nosso meio?
Falaram que foi a Abraça,
mas não acredito nisso:
nenhum homem nesta terra
faria esse feitiço.
Pra mim, só tem uma resposta:
foi obra de Padim Ciço!

Texto de Manuel Vázquez Gil

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