TEXTO DE AMANDA PASCHOAL
Eu sou autista. Tenho 25 anos, um curso superior completo e estou cursando a segunda graduação. Namoro (muito feliz) há 3 anos. E nesse ultimo minuto, agora mesmo, me levantei da cadeira do computador, corri até a sala, dei uns pulos e voltei abanando as mãos. Eu tenho um "brinquedo de morder", esfrego as mãos o tempo todo, escuto a mesma musica milhares de vezes repetidamente para me concentrar. Faço muitas citações de frases de filmes e desenhos, porque o som é legal (lê-se: ecolalia tardia). Dentre vários outros stims (prefiro esse nome do que estereotipia). O que eu quero dizer, meus caros, é que NÃO É DE FORMA ALGUMA NECESSÁRIO "remover comportamentos autísticos" ou "ficar indistinguível de seus colegas" para se obter "desenvolvimento saudável", "independência" ou "sucesso" (uma palavra que também muda muito de significado de pessoa para pessoa). Por outro lado, vi relatos de autistas que passaram por "terapias normalizadoras" para remover os stims e estão com stress pós-traumatico, transtorno de ansiedade, auto-agressão. Autistas que tiveram que reaprender a fazer stims para poder começar a se curar. Entretanto, ainda existem profissionais que insistem na ideia de remover stims. Por que?
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