Incluir é um verbo que deveria sempre estar na forma passiva: ninguém inclui ninguém, a única coisa que podemos fazer é criar condições favoráveis para que a pessoa queira se incluir no nosso bando. A dificuldade de compreender isso é a principal causa dos tropeços que assistimos nos processos de inclusão.
Como a inclusão é promovida pelo próprio sujeito, se deixarmos e colaborarmos, outro conceito que está distorcido é o termo "aluno de inclusão", referindo-se às crianças e adolescentes com deficiência. Porque há pessoas com deficiência que se sentem confortavelmente incluídas, e há pessoas sem deficiência que não.
Incluir e sentir-se incluído são dois conceitos muito distantes, e a pessoa só está incluída quando se sente parte do bando a que quer pertencer.
Aquele menino branco de olhos verdes que mora numa casa bonita pode estar se sentido excluído porque seus pais estão se separando; a menina bonita admirada por todos pode estar sendo abusada por um parente; o menino inteligente pode se sentir perseguido por um professor; aquele professor competente pode estar passando por problemas de doença na família; a menina agressiva de repente nem é agressiva, está apenas respondendo a um ambiente hostil. Todos se sentem excluídos naquele momento.
Algumas pessoas enxergam e trabalham a inclusão como se se tratasse de criar e executar intervenções nos alunos com deficiência; outras colocam num grande cesto todas as minorias - pessoas com deficiência, negros, homossexuais, mulheres, índios - como o alvo da inclusão; outros ainda compreendem que também os alunos com transtornos de aprendizagem, em especial os hiperativos e desatentos, devem fazer parte do foco inclusivo.
Só conheço um trabalho real de inclusão, que está nas escolas e que tem tentando mudar a cultura, trazendo para o palco da inclusão as própria pessoas, dando voz a elas e ouvindo atentamente, e que olha para uma escola de 800 alunos e 50 funcionários, e vê todos eles como pessoas que precisam se incluir. E que, para alcançar esse intuito, promove o discurso da construção de um ambiente onde as pessoas gostem de estar e gostem de se incluir.
A construção do ambiente favorável é coletiva e é de nossa responsabilidade; a decisão de se incluir é individual de cada pessoa. O resultado dessa soma é o salto de qualidade, tanto nas relações quanto no aprendizado.
E.t: saiu ontem o resultado do IDEB 2015. Duas escolas de Contagem estiveram no projeto Aprendendo a Aprender, uma o ano todo e outra no segundo semestre. A primeira, a Domingos Belém, mostrou este resultado: turma do 5o. ano - 2009= 5,9; 2011= 5,2; 2013= 5,6; 2015= 6,7; turma do 9o. ano - 2009= 4,2; 2011= 4,6; 2013= 4,4; 2015= 5,2. As médias de 2015 ficaram acima do planejado e da média do município.
Na segunda escola, a Prefeito Luiz da Cunha, onde trabalhamos mais nas séries iniciais, em função do tempo reduzido (começamos em agosto), os resultados do 5o. ano foram estes: 2009= 5,1; 2011=4,8; 2013= 5,4; 2015= 6,3. Também a nota superou o planejado para o ano.
Texto de Manuel Vazquez Gil idealizador do Projeto
Contatos: DMA Psicopedagogia
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