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DIETA SENSORIAL

TEXTO DE MANUEL VAZQUEZ GIL

1- pesquisas levadas a efeito na Austrália, com chimpanzés, mostraram que a apresentação de figuras aumenta em oito vezes a produção de Fatores Neurotróficos. O velho ditado de que uma figura vale por mil palavras só errou na quantidade, mas está absolutamente certo.
2 - universidades canadenses elaboraram um estudo sobre o efeito dos Fatores Neurotróficos na dor: aumentando artificialmente a quantidade desses fatores, cobaias passaram a sentir dor com uma simples e leve carícia; ao reduzir a quantidade, o oposto surgia e, num nível bem baixo, as cobaias deixavam de sentir dor.
3 - um estudo da Universidade Nacional de Brasília, sobre doenças tropicais, demonstrou que a produção de Fatores Neurotróficos e a fagocitação cessam quando expostos a sons acima de 9,0Khertz. Hertz é a medida de frequência de uma onde de som, e cada Hertz corresponde a uma onda por segundo. Não há a conversão matemática de Hertz (frequência) para Decibéis (altura do som), mas a experiência mostra que a cada 20 Hertz há um acréscimo de 3 Decibéis, e isso é preocupante, porque o Decibel é um logaritmo que dobra de valor a cada unidade (significa que 3 decibéis é o dobro de 2, e que 4 é o dobro de 3).
Esses três pontos são inegociáveis na Dieta Sensorial: todo ambiente favorável para o aprendizado deve ter som em altura agradável, abaixo dos 9.0Khz, deve privilegiar a comunicação por figuras previamente conhecidas da criança e deve favorecer o aumento de Fatores Neurotróficos ao ponto de devolver a sensibilidade à dor.
Embora pareça estranho, esse terceiro fator, demonstrado pelos canadenses, é o responsável pela redução da hiperatividade e de auto-agressões.
Além desses três pontos, há os meramente individuais: a textura dos tecidos para o tato (experimente roupas de tecidos diferentes e veja o que deixa a criança mais à vontade); cores (usar as cores favoritas da criança significa harmonizar a sua energia); sabores e odores. Esses dois últimos devem estar sempre combinados, um alimento tem que ser saboroso e cheiroso ao mesmo tempo.
Divida os sentidos em três grandes grupos: 1 - a visão (os olhos não enxergam, apenas enviam a imagem para o cérebro, onde é decodificada); 2 - a audição (o sistema do ouvido é mecânico, independe de células para funcionar); 3 - tato/olfato/paladar (têm o mesmo sistema de funcionamento: células externas que recebem o estímulo e enviam para decodificação cerebral; embora as células fiquem em locais específicos e sejam especializadas, funcionam por ativação celular, diferentemente dos dois primeiros).
Significa que um ambiente favorável tem que, necessariamente, agradar esses três sentidos ao mesmo tempo, mesmo que temporariamente os dois primeiros não sejam atendidos.
Uma família é capaz de construir esse ambiente. Se o tempo em que a criança fica em casa for baseado na Dieta Sensorial, ela se fortalecerá para suportar outros ambientes. Se a pressão por alimentos que a criança não gosta, cores que não suporta, sons que a estressam, roupas que a incomodam for constante, a produção de Fatores Neurotróficos cessará, não haverá aprendizado nem desenvolvimento.
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Uma dica: faça um grande círculo azul numa parede, com um pequeno círculo branco, do tamanho de uma moeda de R$1,00, e deixe esse espaço para que a criança medite, trabalhe seu isolamento e sua solidão, quando quiser ficar consigo mesma. É um treino de foco, que você mesmo pode e deve fazer: naquele pequenino círculo estão concentradas mais verdades sobre você do que no resto do mundo, se se dispuser a dedicar algum tempo sentado no chão, fitando o ponto branco e pensando sobre a vida.
É o que autistas fazem, quando deixamos.

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