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MEDIADOR ESCOLAR: QUEM DEVE DECIDIR?



Há dezessete anos na educação pública, vejo com prazer a escola sair do seu lugar meramente classificador, no qual ditava, através da seleção e capacitação, quem eram os mais aptos, para se tornar uma escola que caminha para a inclusão, onde a mudança de perspectiva educacional não vale apenas para os estudantes que apresentam dificuldades ou deficiências, mas para todos os alunos da escola.
 Uma dessas novas perspectivas é a necessidade, ou não, do mediador ou acompanhante escolar para os estudantes com deficiência. A família, insegura quanto à capacidade da escola em atender seus filhos, têm condicionado a matrícula à presença desse profissional na sala de aula. O que as famílias ainda não compreenderam é que a presença do mediador limita a atuação do estudante no ambiente escolar, dificultando ou impedindo a exploração e descoberta do espaço escolar pelo aluno.
Entendo que os obstáculos precisam ser removidos, e não só para esses estudantes, mas para todos. Na nossa unidade temos obtido um relativo sucesso quanto à contratação criteriosa desse profissional. Existem, claro, casos particulares, já que cada um deve ser avaliado conforme seu potencial. Algumas crianças com dificuldades maiores deverão ter o auxílio de um mediador, que nesses casos são peças importantes para atuar, em conjunto com o professor regente, na busca, estabelecimento e manutenção da autonomia do aluno no espaço escolar. Mais importante que isso, esse profissional deve ser utilizado para auxiliar não só esses alunos em especial, mas a classe toda, auxiliando o professor no processo pedagógico comum a todos os colegas da turma.
Na maioria dos casos uma conversa produtiva com a família, apontando as habilidades do estudante, seu potencial e autonomia, é suficiente para comprovar a desnecessidade do moderador. A aceitação desse processo pela família valoriza a cognição da criança e o papel da escola, pois é a família que deve fornecer a permissão para que seu filho possa aprender. Ao não desautorizar a escola e ao caminhar ao lado dela no processo de ensino e aprendizagem, a família fortalece a confiança da criança no seu potencial.

Toda criança é capaz de aprender, desde que a escola se ajuste às necessidades e potenciais de cada uma. Agindo assim, conseguimos diminuir o número de acompanhantes nas salas de aula. O otimismo e a confiança das famílias têm favorecido a autonomia que a escola oferece, num trabalho coletivo de todos: escola, estudantes e famílias. Também nossos professores trabalham melhor sem a presença do moderador, responsabilizando-se pela condução da classe.

Acreditamos que é possível construir uma escola para todos, com ambientes ricos e variados, onde as crianças aprendam, desenvolvam-se e evoluam, e onde se sintam capazes e felizes. Acreditamos, principalmente, que a escola é capaz de decidir sobre a necessidade do acompanhante, a partir de um diagnóstico pedagógico individual.
Essa discussão vale a pena.

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