Texto de Manuel Vazquez Gil
A área do cérebro chamada de Hipocampo é uma maternidade de neurônios: ali nascem novas células nervosas constantemente, bastando para isso estímulos internos ou externos. É nessa área que percebemos os estímulos em primeira mão, processo que Piaget chamou de Assimilação. Ou seja: estou escrevendo isto e, ao ler, você ativa seu Hipocampo, que produz neurônios e células da Glia em quantidade suficiente para construir uma rede e assimilar o que está lendo.
Após essa assimilação, a rede neuronal referente é enviada para o Córtex, onde será armazenada, processo que Piaget chamou de Acomodação. Mas o Córtex não tem espaço infinito, então ele apenas armazena o que ainda não existe na sua memória. Se o conteúdo já existir, ele descarta a nova rede, num processo a que chamamos Apoptose (morte programada de células).
Na apoptose, neurônios e células da Glia perdem o núcleo e murcham, passando a ocupar um "espaço morto", onde não há atividade neuronal. Células da Glia especializadas em remover essa massa, as Micróglias, absorvem-na e liberam a área para a chegada de novas redes, portanto para o nascimento de novos neurônios e células gliais. A esse fenômeno damos o nome de Fagocitação, e ele só é possível porque as Micróglias secretam uma proteína chamada de Fatores Neurotróficos Derivados da Glia (GNDF) e Fatores Neurotróficos Derivados do Cérebro (BNDF).
Os Fatores Neurotróficos têm função semelhante à nossa saliva: sem eles, a fagocitação é deficiente ou até inexistente, e a massa inerte permanece no local, impedindo a substituição celular. Esse processo é crítico quando afeta a bainha de mielina que recobre o axônio dos neurônios, porque, ao se transformar numa massa disforme, e por se tratar de gordura, os estímulos não conseguem ser transmitidos de um neurônio para o próximo.
Foi nos Fatores Neurotróficos que a natureza agiu para possibilitar ao homem conviver em sociedade, após a criação das cidades, há 4.000 anos: melhorando a qualidade deles, aumentou a fagocitação e a neurogênese e criou a velocidade neuronal exigida para a principal característica da socialização, a empatia. Para ser empático, você precisa pensar rápido, ou o outro não conseguirá ver que você o compreendeu o suficiente. Entender a piada no dia seguinte não ajuda na comunicação empática.
Ou seja: uma evolução econômica, que não altera genes (até porque todos vão precisar enfrentar os mesmo ambientes), mas vai direto ao ponto: aumente a qualidade e a quantidade de Fatores Neurotróficos e obterá o sujeito super social!
........................
Por volta dos 18 meses de idade, todas as crianças têm uma overdose de novos estímulos, portanto de novas redes neuronais: novos ambientes, cores, sabores, palavras, movimentos, pessoas, estímulos demais. O cérebro corresponde construindo redes neuronais que dão conta das novas demandas. Após essa idade, grande parte dos conhecimentos são automatizados e essas redes fazem apoptose, abrindo caminho para novas redes e novos conhecimentos. Se o sujeito tiver Fatores Neurotróficos deficientes (os tais Fatores Net), a apoptose não acontecerá, a circunferência do cérebro ficará levemente maior do que a média,e o cérebro precisará encontrar novos e mais longos caminhos para aprender.
O cérebro é plástico, e encontrará soluções, mas não serão típicas: de repente, a área responsável pela fala passa a acumular também a função da audição, ou da visão, e o processo final será demorado e atípico.
Não há solução científica para melhorar a qualidade dos Fatores Neurotróficos. Mas há ambientes favoráveis para aumentar a quantidade deles, sem drogas e sem terapias. Construído no lar, onde a criança passa a maior parte do seu tempo, fará com que o aprendizado cresça e os comportamentos agressivos diminuam. Se o ambiente for 100% propício aos sentidos, esses comportamentos desaparecem e o aprendizado fica potencializado.
A esse sistema eu chamo de Dieta Sensorial, que se compõe de duas partes: uma geral, com ambientes favoráveis comuns a todos, e outra individual, que leva em conta a preferência de cada criança.
A respeito da Dieta Sensorial escreverei depois.
Após essa assimilação, a rede neuronal referente é enviada para o Córtex, onde será armazenada, processo que Piaget chamou de Acomodação. Mas o Córtex não tem espaço infinito, então ele apenas armazena o que ainda não existe na sua memória. Se o conteúdo já existir, ele descarta a nova rede, num processo a que chamamos Apoptose (morte programada de células).
Na apoptose, neurônios e células da Glia perdem o núcleo e murcham, passando a ocupar um "espaço morto", onde não há atividade neuronal. Células da Glia especializadas em remover essa massa, as Micróglias, absorvem-na e liberam a área para a chegada de novas redes, portanto para o nascimento de novos neurônios e células gliais. A esse fenômeno damos o nome de Fagocitação, e ele só é possível porque as Micróglias secretam uma proteína chamada de Fatores Neurotróficos Derivados da Glia (GNDF) e Fatores Neurotróficos Derivados do Cérebro (BNDF).
Os Fatores Neurotróficos têm função semelhante à nossa saliva: sem eles, a fagocitação é deficiente ou até inexistente, e a massa inerte permanece no local, impedindo a substituição celular. Esse processo é crítico quando afeta a bainha de mielina que recobre o axônio dos neurônios, porque, ao se transformar numa massa disforme, e por se tratar de gordura, os estímulos não conseguem ser transmitidos de um neurônio para o próximo.
Foi nos Fatores Neurotróficos que a natureza agiu para possibilitar ao homem conviver em sociedade, após a criação das cidades, há 4.000 anos: melhorando a qualidade deles, aumentou a fagocitação e a neurogênese e criou a velocidade neuronal exigida para a principal característica da socialização, a empatia. Para ser empático, você precisa pensar rápido, ou o outro não conseguirá ver que você o compreendeu o suficiente. Entender a piada no dia seguinte não ajuda na comunicação empática.
Ou seja: uma evolução econômica, que não altera genes (até porque todos vão precisar enfrentar os mesmo ambientes), mas vai direto ao ponto: aumente a qualidade e a quantidade de Fatores Neurotróficos e obterá o sujeito super social!
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Por volta dos 18 meses de idade, todas as crianças têm uma overdose de novos estímulos, portanto de novas redes neuronais: novos ambientes, cores, sabores, palavras, movimentos, pessoas, estímulos demais. O cérebro corresponde construindo redes neuronais que dão conta das novas demandas. Após essa idade, grande parte dos conhecimentos são automatizados e essas redes fazem apoptose, abrindo caminho para novas redes e novos conhecimentos. Se o sujeito tiver Fatores Neurotróficos deficientes (os tais Fatores Net), a apoptose não acontecerá, a circunferência do cérebro ficará levemente maior do que a média,e o cérebro precisará encontrar novos e mais longos caminhos para aprender.
O cérebro é plástico, e encontrará soluções, mas não serão típicas: de repente, a área responsável pela fala passa a acumular também a função da audição, ou da visão, e o processo final será demorado e atípico.
Não há solução científica para melhorar a qualidade dos Fatores Neurotróficos. Mas há ambientes favoráveis para aumentar a quantidade deles, sem drogas e sem terapias. Construído no lar, onde a criança passa a maior parte do seu tempo, fará com que o aprendizado cresça e os comportamentos agressivos diminuam. Se o ambiente for 100% propício aos sentidos, esses comportamentos desaparecem e o aprendizado fica potencializado.
A esse sistema eu chamo de Dieta Sensorial, que se compõe de duas partes: uma geral, com ambientes favoráveis comuns a todos, e outra individual, que leva em conta a preferência de cada criança.
A respeito da Dieta Sensorial escreverei depois.
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