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A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO

Por Manuel Vázquez Gil

Se você quiser se manter saudável, deve agir de acordo com a visão que tem do mundo que o cerca. Deve seguir as convicções éticas, políticas e religiosas que mais se enquadram com sua personalidade e seu jeito de ser. Deve seguir pelos caminhos que não ferem sua dignidade nem sua forma de pensar.
Quando tem que agir em desacordo com seus princípios, você fica doente, porque isso corresponde a uma violência contra o seu ser.
Ao mesmo tempo em que você deve seguir seu jeito de ser, também deve respeitar o jeito de ser do outro. Porque também o outro ficará doente em função da violência cometida contra o seu modo de ser e de pensar o mundo.
As duas situações são difíceis. Não porque o sujeito não queira ser feliz seguindo seus princípios, mas porque sempre há outros que vão tentar violenta-lo e obriga-lo a ser o que não é. Sermos violentados dói, é muito triste, mas violentar o outro, isto sim, é o fim.
Você tem que saber, em relação a como enxergamos o autismo, que há cinco correntes bem definidas. Como os dedos de uma mão.
Há os que pensam em assistencialismo, em caridade. Para esses, autistas são coitadinhos, pobres e lindos anjos que precisam da nossa caridade e proteção. Estes agem conforme a leitura que fazem do mundo. São o dedo mínimo, felizmente cada vez menor.
Há os que pensam em doença, em cura. Para esses, autistas têm uma doença grave que precisa ser curada, não importam os meios. Estes seguem o caminho que médicos, pesquisadores e curandeiros lhes apontarem. São o dedo médio, o maior, o que causa mais sofrimento ao outro.
Há os que pensam no social, no ambiente. Para esses, é preciso conscientizar as pessoas e cuidar do ambiente para que os autistas se sintam parte do grupo. Estes promovem encontros, falam com as pessoas para que aceitem os autistas no seu meio. São o indicador, os que apontam os problemas e as dificuldades que precisam ser removidos
Há os que pensam nos direitos humanos. Para esses, autistas são pessoas, são seres humanos, com direitos e deveres como qualquer um. Não são coitadinhos, não são doentes e não são necessitados da compreensão do outro. São gente, capazes de tudo o que qualquer ser humano é. Nesse grupo eu me incluo, e por isso ensino meu filho a cuidar dos mais frágeis, ceder o lugar para aquela senhora, não usar o autismo como desculpa para nada bom nem para nada mau. São o anelar, o dedo do compromisso e da união.
E, finalmente, há os que sentam e criticam todos os outros. Estes só existem na espécie humana, são o polegar opositor.

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