Pular para o conteúdo principal

O QUE É REAL?


Texto de Manuel Vázquez Gil
Jonathan tem 8 anos e cursa o terceiro ano no período da tarde. É muito tímido, introvertido, quase sempre se afasta da turma e só participa quando insistem bastante. É um bom aluno, educado e cuidadoso com o material. A professora acredita que, por causa da timidez excessiva, ele não tira notas boas na avaliação, que tem dificuldades para dizer que ficou com dúvidas, e isso prejudica seu desempenho.
No começo do segundo semestre do ano passado Jonathan apresentou Letícia, sua irmã mais velha, que estuda no oitavo ano da manhã. Como seus pais trabalham, Letícia cuida dele e fica com ele na escola. Senta na carteira ao lado dele, que é uma espécie de carteira cativa, portanto ninguém pode sentar ali.
Jonathan foi muito claro: Letícia é minha irmã imaginária!
Honesto e ético, Jonathan senta na primeira carteira da sala em dias de prova. Segundo ele, Letícia é inteligente e está mais adiantada, e gosta de ajuda-lo em tudo, inclusive passando cola. Então ele prefere sentar longe dela. Então Jonathan tira notas baixas, mas se mantém íntegro.
Semana passada eu fui fazer observação na classe de Jonathan, e decidi ficar também na hora das provas. Pedi que ele se sentasse no mesmo lugar, ao lado de Letícia, porque eu estaria bem atrás observando no caso dela tentar passar cola. Ele concordou.
Hoje voltei à escola para fazer outras observações, e a coordenadora me chamou na sala dela. Queria mostrar as notas de Jonathan. Todas maiores que 8.0!
....
Na primeira vez que Silvania se hospedou aqui, Luan a tirou gentilmente do quarto, voltou, fez inúmeros movimentos de kung-fu, foi busca-la e levou-a de volta ao quarto. O inimigo secreto estava morto, ela podia ficar segura. Porque o bicho-papão existe, ele é real. A irmã imaginária também

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PRECONCEITOS COTIDIANOS

Texto de Manuel Vázquez Gil A maioria de nós vive no campo das ideias: temos convicções de como fazer, mas não arregaçamos as mangas para mudar o que consideramos errado. Não nos infiltramos no cotidiano para transformar o mundo, preferindo terceirizar para o Estado, a escola, o outro, enfim. Constituímos e concretizamos juízos prévios que, por não serem postos à prova e permanecerem dentro de nós, não podem ser confirmados ou refutados na vida diária. Por não serem confrontados,  deixam de ser juízos para se constituírem em preconceitos.  Segundo Heller (O cotidiano e a história, ed. Paz e Terra, 1989), "o afeto do preconceito é a fé" (por fé, compreenda fé em qualquer coisa), "a intolerância emocional é uma consequência necessária da fé" e "crer em preconceitos nos protege de conflitos, porque confirma nossas ações anteriores". Contra a tirania da fé, afeto que acalanta o preconceito, existe um vacina: a confiança no saber. E a confiança no sabe...

Meus direitos, seus direitos, nossos direitos

Texto de Manuel Vázquez Gil Você deve se perguntar às vezes porque, se todos queremos as mesmas coisas, brigamos tanto. Direitos, por exemplo, é um bem desejado e quase nunca atingido. Será que entendemos o que são direitos e quais, entre tantos, são nossos, e quais não são? Onde o limite? Pois é, o limite está exatamente na nossa cabeça, em como vemos e pensamos o mundo. Vou ajudar você: podemos dividir as pessoas, em relação a como veem os direitos, em trê s grades grupos: 1 – Utilitaristas são aqueles que acham que uma boa ação ou uma boa regra de conduta são caracterizadas pela utilidade, ou seja, pelo prazer que podem proporcionar ao outro e à coletividade; 2 – Igualitaristas são aqueles que acham que deve haver igualdade absoluta em todas as áreas: política, social, cívica. Para estes, a igualdade não é relativa, mas absoluta; 3 – Libertários são os que maximizam a autonomia e a liberdade de escolha, e o julgamento individual. Focam na propriedade privada e na redu...

Matéria sobre a LBI e o Aprendendo a Aprender

O projeto Aprendendo a Aprender é o filho direto do Dom do Autismo: com o tempo, compreendemos que a inclusão escolar é para todos, e elaboramos um projeto que beneficiasse o ambiente, conforme entendimento das diversas leis que regem o assunto. A deficiência não é da pessoa, mas do ambiente. É um impedimento que só acontece se a pessoa com autismo encontrar barreiras físicas ou de atitude que a impeçam de usufruir os mesmos direitos de todas as demais.  O Aprendendo a Aprender é um projeto de inclusão, e inclusão é o resultado do esforço coletivo para remover obstáculos. DMA Psicopedagogia