Texto de Manuel Vázquez Gil
Não é mamão com açúcar, para usar uma expressão do meu filho para provas fáceis. Mas a tarefa fica facilitada se seguirmos pequenas regras de ética que a profissão exige.
O psicólogo é um médico de almas, aquele em quem o cliente deposita seus mais guardados segredos. Para que esses segredos sejam revelados, o que é fundamental para o sucesso da tarefa, o cliente precisa confiar cegamente no psicólogo. Quer dizer que o psicólogo tem que ser digno dessa confiança, ou tudo desmoronará.
O psicólogo faz um contrato verbal com o seu cliente, e apenas com ele. Não permite que ninguém – eu disse ninguém – se intrometa entre seu cliente e ele. A ninguém – eu disse ninguém - ele abrirá um milímetro do que acontece no set. De ninguém – eu disse ninguém – ele aceitará sugestões de como modificar seu cliente.
O psicólogo nunca é o sujeito da ação terapêutica. Ele está a serviço dos desejos e ansiedades do seu cliente. Por isso se chama cliente: porque é o sujeito da ação. Cabe ao psicólogo mostrar os diversos caminhos disponíveis para o seu cliente, e respeitar a escolha que ele fizer.
Ao psicólogo não importam a condição, idade ou prontidão do cliente, ele será sempre o seu único sujeito. É a ele que deve satisfações do que faz, e é a ele que deve atender para acalmar sua alma e mitigar suas dores. Não as dores dos pais, professores, marido, mulher, amigos, irmãos, mas suas dores. Porque é com ele que o psicólogo fechou o contrato.
Essa é a ética do psicólogo, e a única forma de concluir um processo terapêutico com sucesso.
Se você acha que ser psicólogo é mamão com açúcar, bastando para isso ouvir as pessoas da relação do cliente, você confundiu mamão com abacaxi. O psicólogo descasca abacaxis, mas da forma e na velocidade que seu cliente comanda. Porque ali, na relação terapêutica, há um único senhor, o cliente.
Comentários
Postar um comentário