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Por Manuel Vázquez Gil - I

Hoje estou feliz e leve, então resolvi dar uma canjinha de galinha pra você.
Seguinte: a obra de Sigmund Freud em relação à Psicanálise tem 24 livros e 123 artigos, totalizando mais de 5.000 páginas, e traduzido em 33 idiomas. Em nenhum lugar dessa vasta obra tem a palavra "autismo", e nem uma leve referência a autismo.
Nem mesmo nas dezenas de obras sobre outros assuntos médicos Freud fez menção ao autismo.

Não era porque ele não conhecesse o autismo: Eugen Bleuler, amigo pessoal dele, falou sobre isso em 1911. Era porque Freud não se interessava por esse assunto, e porque provavelmente achava que não tinha nada a ver com a Psicanálise. Porque, se tivesse alguma relação, ele citaria.

Então essa é a canja: se você for escrever algum texto sobre autismo e Psicanálise, porque de vez em quando algum desavisado volta à carga inventada pelo psiquiatra Kanner e difundida pelo psicólogo Bettelhein, e porque algumas pessoas a-d-o-r-a-m colocar a culpa no outro, seja na mãe, no pai, no gene, no alimento, na vacina, no neurônio e no escambau, por favor, não cite Freud.
Porque, se citar, estará mentindo e inviabilizando toda a sua crítica.

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