Por Manuel Vázquez gil
Em 1994 foi publicada a CID-10, Classificação Internacional das Doenças, décima edição, pela Organização Mundial da Saúde.
O CID é adotado oficialmente em todos os Estados-membros da ONU que reconhece a OMS como gestora da saúde mundial.
Para se ter uma ideia da grandiosidade da OMS, dos 193 estados-membros da ONU, 194 são filiados à OMS.
A CID sugeria que, detetados sinais característicos de autismo, crianças pequenas fossem diagnosticadas sob o código genérico F84 (TGDs), e encaminhadas aos serviços necessários para reduzir os déficits apresentados.
Nos anos seguintes os profissionais de saúde deveriam requisitar exames e observar o sujeito, na busca de um diagnóstico diferencial (Asperger, Rett, Heller, Autismo Infantil).
Em agosto de 2005, preocupado com esses sinais, levei meu filho à neurologista. Ela diagnosticou TGD e apostou na Síndrome de Asperger. Encaminhou-o à psicóloga, que confirmou o TGD, mas apostou em Autismo. Em outubro ele começou um longo tratamento com a fonoaudióloga, que se estendeu por 8 anos.
Em 2007, ainda sob a rubrica de TGD, ele foi encaminhado à Terapeuta Ocupacional, onde ficou por 2 anos.
Em 2009, já com 7 anos de idade, médica e psicóloga fecharam o diagnóstico de Autismo, F84.0. Oficialmente, embora já tivesse todos os sinais, ele se tornou autista com 7 anos de idade.
Que diferença isso fez?
De um lado, o diagnóstico de TGD não impediu as intervenções necessárias, mas resumiu-as apenas às necessárias, evitando o estresse de terapias excessivas.
De outro lado, evitou o carimbo na fase mais delicada de princípio de socialização na escola.
Na minha caminhada profissional, assisti casos e mais casos semelhantes. Na maioria deles esses cuidados de não diagnosticar crianças muito pequenas como autistas, sem lhes tirar o direito às intervenções necessárias, sempre mostrou prudência e evitou desastres: você consegue imaginar o que acontece na vida de uma criança que é diagnosticada com autismo bem cedo, mas na verdade tem Rett, ou Heller, ou Prader-Willi?
Comentários
Postar um comentário